Vítima de Cachoeira do Sul: Polícia deve encerrar inquérito sobre triplo homicídio

Por 16 de agosto de 2021

Um triplo homicídio revelado após incêndio no interior de Cruzeiro do Sul segue repercutindo na região e desafiando a Polícia Civil, mas deve ter seu inquérito encarrado sem a identificação dos autores do crime. Entre as vítimas, Mireila Silva dos Santos, 35 anos, de Cachoeira do Sul. As demais foram um caseiro da propriedade, Sinésio Inácio Ghilardi, 29 anos e o marido de Mireila, Leandro Arruda, 38 anos.

O casal havia se mudado uma semana antes do crime. No dia 9 de julho de 2020, um incêndio destruiu um galpão de alvenaria e madeira onde os corpos foram localizados. O caseiro era natural de Lajeado e morava em frente ao galpão. Arruda, que também era de Lajeado, era vendedor externo de uma padaria. Já a mulher de Cachoeira do Sul era dona de casa. Antes de se mudar para Cruzeiro do Sul, ela morava no Bairro Noêmia.

No corpo de Mireila, a Polícia localizou um projétil de pistola calibre 380 na sua cervical, o que aponta para tiro na nuca. A suspeita é que os três foram mortos antes do incêndio em um crime planejado. No entanto, a investigação não avançou até possibilitar a identificação de responsáveis e se as três vítimas seriam alvos ou as três mortes foram provocadas para o crime não contar com testemunhas vivas.

As apurações sugerem que as chamas foram utilizadas com o objetivo de apagarem as possíveis provas. O avançado estado de carbonização dos corpos ainda inviabilizou que a necropsia trouxesse mais pistas para a elucidação do crime.

Além disso, na época, uma cheia atingiu a área onde fica a propriedade. Por causa da enchente do Rio Taquari, o Corpo de Bombeiros não conseguiu chegar ao local durante o incêndio. Com isso, a Polícia apenas teve acesso no dia seguinte.

Os investigadores levantaram duas teses. Uma delas tem relação com a oferta de venda da propriedade. Uma pessoa interessada teria ligação com o tráfico de drogas e a proprietária do terreno do sítio não teria aceito a proposta de compra. Já a segunda possibilidade envolve o marido de Mireila, que tinha antecedentes estupro, em 2011 e 2012. Em 2014, Arruda chegou a ser condenado. Em 2019, em um outro caso, um familiar registrou ocorrência sobre suposto abuso contra uma menor de idade. Tanto a vítima de Cachoeira do Sul e o caseio não tinham antecedentes criminais.

As informações trazidas por testemunhas não indicaram informações mais relevantes para a sequência da investigação policial.