“Uma ameaça que não resolve. É um prefeito despreparado”, dispara presidente do sindicato sobre nota de Balardin

Cachoeira do Sul, · --°C

Em contato com a reportagem do Portal OCorreio, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários, Aníbal Machado, comentou a nota divulgada pelo prefeito de Cachoeira do Sul, Leandro Balardin, sobre a possibilidade de intervenção no transporte coletivo ou até substituição da atual empresa responsável pelo serviço.

Segundo Machado, a crise no sistema é resultado de problemas acumulados ao longo do tempo, especialmente na relação entre a empresa Transporte Nossa Senhora das Graças e os trabalhadores. O presidente da entidade afirmou que a categoria vem negociando desde novembro, mas não houve apresentação de proposta de reajuste salarial por parte da empresa.

Em meados de 2025, a Prefeitura determinou a redução da tarifa, que era de R$ 6,00, e foi recalculada para R$ 5,70, abaixo do valor reivindicado pela empresa concessionária (R$ 6,71) para a manutenção do serviço.

O dirigente sindical também relatou que a frota estaria sucateada e que trabalhadores enfrentam problemas de saúde, cenário que, segundo ele, contribuiu para o agravamento do conflito e para a paralisação do serviço.

Machado, porém, afirmou que a responsabilidade não recai apenas sobre a empresa. Na avaliação dele, a Prefeitura também tem participação no atual impasse por não ter realizado licitação para a concessão do transporte coletivo. “Não fizeram porque não quiseram”, declarou.

Sobre a possibilidade de substituição da operadora, mencionada pelo prefeito na nota divulgada, o presidente do sindicato demonstrou ceticismo. Segundo ele, é difícil que outra empresa tenha interesse em assumir o serviço no município nas atuais condições.

“Eu duvido que outra empresa queira vir para Cachoeira”

O dirigente também criticou o tom da manifestação do chefe do Executivo municipal, classificando a posição como uma ameaça que, em sua visão, não contribui para resolver o problema do transporte coletivo urbano. Machado ainda avaliou que a administração municipal demonstra despreparo para lidar com a situação.

“Uma ameaça que não resolve o problema do transporte coletivo de passageiros urbanos de Cachoeira do Sul. É um prefeito despreparado para a função. Algumas ruas abandonadas. O despreparo é sem igual”

Apesar das críticas, Machado afirmou lamentar o cenário enfrentado pela empresa e pelas partes envolvidas, ressaltando a gravidade da crise que afeta o transporte coletivo no Município.

A paralisação dos rodoviários segue sem definição, enquanto trabalhadores, empresa e poder público permanecem em impasse sobre as condições do serviço e as negociações salariais.

Confira a nota emitida pelo prefeito:

“O limite está acabando!

A situação do transporte coletivo em Cachoeira do Sul é inaceitável! Como prefeito, estou indignado e preocupado com o descaso que nossa população enfrenta. A greve dos ônibus, que já dura uma semana, reflete a falta de respeito da empresa Transporte Nossa Senhora das Graças (TNSG) com os trabalhadores e usuários. Com apenas 30% da frota operando, a cidade está paralisada!

É um absurdo que, em duas audiências, a empresa não tenha apresentado nenhuma proposta aos trabalhadores, mesmo diante da flexibilização do pedido de reajuste salarial. O Tribunal Regional do Trabalho determinou a operação reduzida no primeiro momento em 50%, que já não era sugerida, e hoje reduziu ainda mais, para 30%. Nosso povo merece respeito e dignidade!

Por isso, não hesitarei em uma possível intervenção ou em buscar uma nova empresa para assumir o serviço. A atual concessão, que não foi submetida à licitação, se mostra despreocupada e gera dúvidas se realmente deseja continuar. Vamos agir! Nossa população não pode pagar pelo descaso e pela omissão de quem deveria cuidar do transporte público. É hora de reverter essa situação!

Voltarei com novas informações muito em breve.

Não temos medo e não falta coragem.

Vamos à luta. Força a todos”

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