{"id":2270,"date":"2026-06-04T11:09:00","date_gmt":"2026-06-04T14:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/?p=2270"},"modified":"2026-05-31T23:30:13","modified_gmt":"2026-06-01T02:30:13","slug":"mato-grosso-sofreu-o-maior-terremoto-da-historia-do-brasil-e-especialistas-revelam-riscos-de-novos-abalos-sismicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/mato-grosso-sofreu-o-maior-terremoto-da-historia-do-brasil-e-especialistas-revelam-riscos-de-novos-abalos-sismicos\/","title":{"rendered":"Mato Grosso sofreu o maior terremoto da hist\u00f3ria do Brasil e especialistas revelam riscos de novos abalos s\u00edsmicos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o Brasil seja mundialmente conhecido por estar localizado no centro da Placa Tect\u00f4nica Sul-Americana, uma posi\u00e7\u00e3o geograficamente privilegiada que o blinda dos megaterremotos que devastam pa\u00edses como o Chile e o Jap\u00e3o, o territ\u00f3rio nacional n\u00e3o est\u00e1 totalmente imune a fen\u00f4menos da natureza. Recentemente, uma sequ\u00eancia de tremores de baixa intensidade registrados no Tocantins e no litoral do Rio de Janeiro acendeu o sinal de alerta e reacendeu o temor e a curiosidade da popula\u00e7\u00e3o sobre a atividade s\u00edsmica no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que muitos brasileiros n\u00e3o sabem \u00e9 que o maior e mais destrutivo tremor de terra com origem puramente nacional aconteceu no estado de Mato Grosso, na d\u00e9cada de 1950. Diante dos epis\u00f3dios recentes, especialistas decidiram quebrar o sil\u00eancio para alertar que a possibilidade de um novo desastre de grande magnitude atingir o pa\u00eds \u00e9 real.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O gigante adormecido dos anos 50<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"545\" src=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-1024x545.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2271\" style=\"aspect-ratio:1.880506748153807;width:755px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-1024x545.png 1024w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-300x160.png 300w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-768x408.png 768w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-750x399.png 750w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415-1140x606.png 1140w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-415.png 1369w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trecho digitalizado do jornal O Estado de Mato Grosso que cita o tremor sentido em Cuiab\u00e1, em 1955. Foto: BN Digital<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento hist\u00f3rico que det\u00e9m o t\u00edtulo de maior abalo s\u00edsmico do pa\u00eds ocorreu na madrugada do dia 31 de janeiro de 1955, na regi\u00e3o da Serra do Tombador, em uma \u00e1rea geogr\u00e1fica que hoje pertence ao munic\u00edpio de Juara (MT). O fen\u00f4meno registrou uma magnitude estimada em 6,2 e atingiu o grau VII na Escala Mercalli Modificada, um n\u00edvel considerado forte e com alto potencial destrutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquela \u00e9poca, a regi\u00e3o norte de Mato Grosso era um vazio demogr\u00e1fico completamente isolado e desabitado, o que fez com que o tremor quase passasse despercebido pela grande m\u00eddia da \u00e9poca. O abalo s\u00f3 n\u00e3o caiu no esquecimento porque os seus reflexos viajaram por mais de 380 quil\u00f4metros atrav\u00e9s das rochas subterr\u00e2neas, fazendo com que pr\u00e9dios balancassem e objetos ca\u00edssem em Cuiab\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o Brasil n\u00e3o possu\u00eda uma rede pr\u00f3pria de esta\u00e7\u00f5es sismol\u00f3gicas na d\u00e9cada de 50, o desastre mato-grossense precisou ser detectado e catalogado por meio de equipamentos instalados no Chile.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que tremores recentes t\u00eam preocupado os cientistas?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A calmaria geol\u00f3gica que se seguiu nas d\u00e9cadas seguintes deu \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a de que o solo brasileiro \u00e9 est\u00e1tico. Contudo, os abalos recentes registrados em solo fluminense e no Tocantins mostram que as falhas geol\u00f3gicas internas do pa\u00eds continuam ativas e acumulando energia mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa movimenta\u00e7\u00e3o constante preocupa os pesquisadores por um motivo claro: o crescimento das cidades. Se o evento de 1955 ocorreu no meio da mata fechada sem causar v\u00edtimas, o cen\u00e1rio atual seria completamente diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar com certeza que um novo terremoto v\u00e1 acontecer. No entanto, como j\u00e1 houve registros anteriores, existe a possibilidade de que novos abalos aconte\u00e7am sim&#8221;, adverte Lucas Barros, pesquisador do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para se ter uma dimens\u00e3o do perigo, um terremoto de magnitude 6,2, exatamente igual ao de Mato Grosso, atingiu a cidade de Istambul, na Turquia, em abril de 2025. O tremor raso fez arranha-c\u00e9us balan\u00e7arem violentamente e deixou 151 pessoas feridas, a maioria devido ao p\u00e2nico generalizado que levou moradores a saltarem de janelas e sacadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os riscos e impactos de um novo abalo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-418.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2274\" style=\"aspect-ratio:1.7761943417215358;width:669px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-418.png 984w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-418-300x169.png 300w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-418-768x432.png 768w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-418-750x422.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Porto dos Ga\u00fachos (MT). Foto: Prefeitura de Porto dos Ga\u00fachos-MT\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferente do imagin\u00e1rio popular, os terremotos no Brasil n\u00e3o ocorrem pelo choque entre placas diferentes, mas sim por fraturas e acomoda\u00e7\u00f5es internas da nossa pr\u00f3pria placa (sismos intraplaca). O perigo reside no fato de que esses tremores costumam ser rasos, ocorrendo a cerca de 10 quil\u00f4metros de profundidade, o que potencializa a libera\u00e7\u00e3o de energia diretamente na superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se um tremor id\u00eantico ao dos anos 50 ocorresse hoje na Zona S\u00edsmica de Porto dos Ga\u00fachos, regi\u00e3o vizinha que mant\u00e9m atividades recorrentes, os impactos no centro-norte de Mato Grosso seriam severos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sism\u00f3logo Bruno Colla\u00e7o, da Rede Sismogr\u00e1fica Brasileira (RSBR), mapeia os efeitos esperados de acordo com o raio de dist\u00e2ncia do epicentro:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-fixed-layout\"><thead><tr><td><strong>Raio de Impacto do Epicentro<\/strong><\/td><td><strong>Efeitos Esperados na Infraestrutura Atual<\/strong><\/td><td><strong>N\u00edvel de Risco<\/strong><\/td><\/tr><\/thead><tbody><tr><td><strong>At\u00e9 20 ou 30 km<\/strong><\/td><td>Intensidade VII na Escala Mercalli. Danos consider\u00e1veis em constru\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, quedas de muros velhos e destelhamentos.<\/td><td><strong>Alto<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>At\u00e9 50 km<\/strong><\/td><td>Surgimento de rachaduras estruturais em paredes de alvenaria e queda de objetos decorativos dentro das resid\u00eancias.<\/td><td><strong>M\u00e9dio<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Cidades vizinhas<\/strong><\/td><td>Interrup\u00e7\u00f5es pontuais em servi\u00e7os b\u00e1sicos (redes de energia el\u00e9trica, abastecimento de \u00e1gua e sinal de internet).<\/td><td><strong>Moderado<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Acre e a confus\u00e3o dos n\u00fameros<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2273\" style=\"aspect-ratio:1.3333483795251422;width:613px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-1024x768.png 1024w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-300x225.png 300w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-768x576.png 768w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-750x563.png 750w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417-1140x855.png 1140w, https:\/\/ocorreiotrends.audiencelabs.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-417.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cordilheira dos Andes. Reprodu\u00e7\u00e3o: Wikipedia <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante debates na internet, muitos entusiastas mencionam que o Acre registrou terremotos maiores recentemente, como um abalo de magnitude 6,8 em Tarauac\u00e1 no ano de 2019. No entanto, sism\u00f3logos explicam que esses eventos n\u00e3o entram na contagem de &#8220;terremotos genuinamente brasileiros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tremores do Acre ocorrem a profundidades gigantescas (frequentemente superiores a 600 quil\u00f4metros) e s\u00e3o reflexos diretos do esmagamento da Placa de Nazca sob a Cordilheira dos Andes. Por come\u00e7arem muito fundo, eles perdem for\u00e7a antes de chegar ao topo e quase n\u00e3o causam danos. J\u00e1 o hist\u00f3rico abalo de Mato Grosso nasceu e espalhou-se de forma rasa dentro das falhas da nossa pr\u00f3pria crosta, mantendo-se firme como o verdadeiro teste de for\u00e7a da geologia nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora o Brasil seja mundialmente conhecido por estar localizado no centro da Placa Tect\u00f4nica Sul-Americana, uma posi\u00e7\u00e3o geograficamente privilegiada que o blinda dos megaterremotos que devastam pa\u00edses como o Chile e o Jap\u00e3o, o territ\u00f3rio nacional n\u00e3o est\u00e1 totalmente imune a fen\u00f4menos da natureza. 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