Ouça a crônica na voz de JEFERSON FRANCISCO SELBACH:

O tempo avança rapidamente até sexta-feira, 1º de agosto, quando as tarifas impostas por Donald Trump entram em vigor.
Na prática os produtos brasileiros ficarão tão caros para o maior mercado consumidor do mundo que será inviável vende-los por lá.
Redirecionar os produtos para novos mercados não é tarefa simples, que se faça em meses ou até anos.
Aliás, novos mercados se conquistam todos os dias e ninguém deixa de vender para outros países só porque está negociando com os norte-americanos.
Como exemplo do impacto negativo na economia gaúcha, a fabricante de armas Taurus avalia fechar a fábrica em São Leopoldo no Vale dos Sinos, demitindo 3 mil funcionários e transferindo a produção para a América do Norte, a quem exporta 80%.
Nacionalmente, a fabricante de aeronaves Embraer exporta 45% dos jatos comerciais e 70% dos jatos executivos que produz para os Estados Unidos e a sobretaxa vira embargo econômico com cancelamentos de pedidos, adiamento de entregas, corte de investimentos e demissões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está nem um pouco preocupado com as demissões que a elevação das tarifas vai causar.
Ao contrário, o caos ajudará a construir simbolicamente um inimigo externo para tentar se eleger na eleição do próximo ano.
Pesquisas rápidas apontam que o tarifaço amenizou sua altíssima reprovação entre os eleitores que ingenuamente acreditam se tratar de disputa pela soberania nacional.
Petistas se apropriaram do famoso boné utilizando frases associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro como “Meu Partido é o Brasil” e “O Brasil é dos brasileiros”.
Um senador petista chegou a publicar imagem da onça-pintada cravando os dentes na águia símbolo nacional americano, junto com a frase “O Brasil tem dono!”
A soberania é irrelevante para o governo que se alinha há tempos com países ditatoriais, como Rússia, Irã, Venezuela e principalmente a China que é quem está de fato se tornando proprietária das nossas riquezas.
O futuro a Deus pertence, mas é o brasileiro que vai colher o que for plantado nos próximos meses.
O que as ditaduras têm em comum mundo afora é o controle sobre a vida das pessoas através da supressão de liberdades individuais e políticas, a restrição da participação popular, a concentração de poder e o uso da força para manter o controle.
Inexistem limites ao poder do grupo que governa, seja ele civil, militar, de partido único ou, como tudo leva a crer no Brasil, de conotação jurídica.
Nicolau Maquiavel, um dos principais pensadores políticos do Renascimento, escreveu que o pior inimigo dos poderosos é o cidadão.
Diferente dos súditos que são submetidos à vontade do governante, os cidadãos possuem direitos e deveres perante a comunidade.
Numa ditatura, a premissa maquiavélica é mais do que apropriada: “Aos amigos os favores, aos inimigos a lei”.
Fragilizar a economia nacional é condição para que o governo promova a reestatização dos setores que foram privatizados nos anos 90, possibilitando cada vez maior controle sobre a economia e a população, sem falar em mais cargos para a “cumpanheirada” se locupletar.
Nossa decisão futura será pela liberdade individual ou pela dependência do Estado.
O relógio do nosso destino não para de tiquetaquear.