Análise de mercado: sucesso do arroz na safra 2025/26 passa pela redução de área

Cachoeira do Sul, · --°C

O mercado brasileiro do arroz inicia a safra 2025/26 em meio a um cenário de forte desequilíbrio entre oferta e demanda. Apesar da leve retração no cultivo, os volumes em estoque continuam sendo o principal fator de pressão sobre a cadeia produtiva.

Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentados durante a Expointer 2025 projetam que a área destinada ao arroz deve ficar em torno de 920 mil hectares, cerca de 5% menor em comparação ao ciclo anterior. A redução, embora tímida, é vista como uma tentativa de ajustar a produção e evitar que a sobreoferta siga deprimindo os preços.

Atualmente, o Brasil acumula estoques de passagem entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas, enquanto o Mercosul, somado, concentra algo entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas. Esses números indicam que, mesmo com uma produção ligeiramente menor, os preços dificilmente alcançarão patamares que cubram os custos de produção, trazendo risco de margens negativas para produtores e efeitos em cascata sobre indústrias, revendas e entidades do setor.

Somado a esse cenário, está o livre ingresso de arroz dos países no Mercosul no mercado brasileiro, principalmente do Paraguai. Produtores orizícolas brasileiros e lideranças do setor denunciam que esse produto entra no Brasil livre de impostos e com uma carga imensurável de agrotóxicos, muitos inclusive com uso proibido no Brasil. Essa entrada de arroz dos países vizinhos, em nome do acordo comercial que o Brasil tem com o Mercosul, acaba colaborando para o achatamento dos preços do arroz, que atualmente está por volta de R$ 64,00 a saca de 50 quilos tipo 1 / 58% de grãos inteiros.

Especialistas defendem que, diante do quadro, a estratégia deve ser concentrar o plantio apenas em áreas de maior produtividade e viabilidade econômica. A medida busca evitar que o excesso de arroz disponível no mercado aprofunde ainda mais a pressão baixista sobre os preços.

O desafio agora é equilibrar produção e consumo para que o setor consiga atravessar o próximo ciclo com maior sustentabilidade. As decisões tomadas nesta safra podem ser determinantes para a recuperação da rentabilidade ao longo de 2025/26.

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