Seca faz Cachoeira entrar em situação de emergência

Por 7 de janeiro de 2022

Cenário desolador: Arroio Irapuá, em Cachoeira do Sul, está entre os tantos rios do Rio Grande do Sul severamente atingidos pela escassez hídrica / Foto: Divulgação

 

O prefeito José Otávio Germano decreta na próxima terça-feira (11) situação de emergência em Cachoeira do Sul devido à estiagem. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (7) após reunião do prefeito com o secretário municipal de Agricultura e Pecuária, Fernando Cantarelli, quando foi apresentado um panorama dos prejuízos já causados pela falta de chuvas na produção agrícola do município.

E a situação tende a piorar, pois não há, para as próximas semanas, previsão de chuvas substanciais que possam reverter o quadro de prejuízos. De acordo com números levantados pelo comitê criado para avaliar a situação da safra agrícola 2021/2022 até a última terça-feira (4), o prejuízo econômico aproximado causado pela seca era de R$ 228 milhões na soja, R$ 26 milhões no arroz, R$ 33 milhões no milho, R$ 17 milhões na pecuária e R$ 183 mil nas hortaliças, totalizando mais de R$ 304 milhões em perdas.

RIOS DÃO SINAIS DE ALERTA

A falta de chuvas em todo o território gaúcho deixa o campo e as cidades em situação de alerta pela situação dos rios, que estão com níveis baixíssimos. O Rio Jacuí, por exemplo, encontra-se cinco metros abaixo do nível normal em Cachoeira do Sul, o que tem levado a Corsan a vencer diariamente diferentes desafios para garantir o abastecimento de água na cidade.

No interior, a situação é ainda pior. O Arroio Irapuá está praticamente seco, o que prejudica a captação de água para irrigação de lavouras de arroz. Bancos de areia há semanas começaram a aparecer no leito do rio, situação que se agrava dia após dia sem chuvas, sol de forte intensidade e ventos que sopram constantemente. Situação semelhante é constatada também no Rio Botucaraí, que é outra importante fonte de água para irrigação de lavouras.

O decreto de emergência, após ser assinado pelo prefeito, ainda precisa ser avalizado pelos governos estadual e federal. Este documento sinaliza uma situação adversa no município e pode auxiliar na busca por auxílio financeiro junto ao Estado e à União para atender aos produtores prejudicados pela estiagem. Dos 497 municípios gaúchos, cerca de 200 já decretaram ou sinalizaram que vão assinar decretos de emergência solicitando ajuda de Porto Alegre e Brasília para amenizar as perdas econômicas causadas pela seca.

O comitê que levanta os prejuízos da estiagem em Cachoeira do Sul é formado pela Smap, Defesa Civil Municipal, Emater, Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), União Central de Rizicultores (UCR), Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e Sindicato Rural.

 

Setor arrozeiro teme por falta d’água nos rios para irrigar lavouras

A estiagem que assola o setor produtivo do Rio Grande do Sul também prejudica seriamente a irrigação nas áreas de arroz. Em todas as regiões, rios de pequeno, médio e grande porte que abastecem as lavouras já estão com baixo nível ou até secaram. A situação é parecida também em locais na Fronteira Oeste e Campanha.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), Alexandre Velho, ressalta que em diversas propriedades os produtores inclusive estão tendo que optar por quais parcelas de lavoura devem irrigar em detrimento de outras. “Isso preocupa e já sinaliza que possivelmente nós não teremos uma produtividade muito significativa, o que deve influenciar na produção total gaúcha”, destaca.

Velho reforça que a Federarroz recomenda aos produtores rurais atingidos pela seca que façam um alerta às suas prefeituras para que sejam encaminhados decretos de emergência, que são fundamentais para encaminhamento de pedidos relacionados a seguros e financiamentos.