Em vez de apostar em produções inéditas, grandes nomes do sertanejo têm voltado os olhos para o passado. Nomes de sucesso como Ana Castela, Lauana Prado, Simone Mendes, Murilo Huff e Daniel gravaram recentemente clássicos dos “modões”, mesmo já tendo seus próprios repertórios já consolidados. O resultado tem sido um sucesso de público e de mercado.
Porém, este fenômeno não é exatamente uma novidade. Em 2020, com a ausência de lançamentos e o aumento das lives que duravam horas, muitos artistas acabavam recorrendo ao repertório antigo para preencher o tempo. Do outro lado das telas, o público, que estava sem novidades para consumir, passou a se reconectar emocionalmente com essas canções. Desde essa época a nostalgia só cresceu e acabou abrindo espaço para o mercado de regravações.

Os projetos que nasceram a partir dessa onda são variados. Simone Mendes lançou “Minhas Memórias”, reunindo duplas históricas como Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Bruno & Marrone e Luciano para recriar seus maiores sucessos. Já Ana Castela apostou no “Herança Sertaneja Rodeio”, gravado na grandiosa Festa do Peão de Barretos, com um elenco recheado de convidados. Enquanto Lauana Prado, criou o projeto “Raiz” em 2022 e viu sua proposta nostálgica explodir recentemente. Murilo Huff também se jogou no sertanejo raiz com o “Ao Vivão”, seu projeto de regravações com 5 volumes atualmente e que trazem releituras de duplas como Bruno & Marrone e Edson & Hudson. Já Daniel mergulhou no repertório de sua antiga dupla com João Paulo para celebrar 40 anos de carreira, lançando alguns DVDs de regravações.
A nostalgia como combustível
Esse movimento no sertanejo, na verdade, acompanha um resgate do passado que está atravessando diferentes indústrias além do mundo da música.
No universo dos jogos online, o Aviator é um jogo que mostra isso claramente. A sua identidade visual é minimalista, com gráficos que remetem à era dos primeiros jogos de computador. Indo mais para o lado dos revivals, Resident Evil Requiem aposta no retorno dos conceitos clássicos da franquia de Resident Evil. Este novo volume equilibra a ação e o conceito de survival horror para reviver a sensação que conquistou os fãs desde os anos 90 — ainda que o estilo da narrativa seja um pouco divergente dos títulos anteriores.
A moda também está surfando essa onda. O primeiro exemplo é a campanha “True Summer”, lançada pela True Religion e estrelada por Zara Larsson. Referenciando o estilo dos anos 2000, a True Summer traz os jeans de cintura baixa junto a uma estética de bastidores de uma estrela do pop.
Ainda falando de roupas, a collab entre Carnan e Umbro também mergulhou no arquivo visual da marca inglesa entre os anos 1990 e 2000. As peças remetem a um período de forte presença do futebol brasileiro, reinterpretando patches, grafismos e modelagens sob uma linguagem de streetwear sofisticado.
Conexão passado e futuro
Da música ao streetwear, passando pelos games e outros nichos, a nostalgia está se mostrando como uma ferramenta poderosa de criação e conexão. No sertanejo, regravar os “modões” homenagea as raízes do gênero e também traz frescor ao reencontro com hits que marcaram muitas histórias pelo Brasil — e, ao que tudo indica, essa tendência ainda tem muito fôlego pela frente.