
O sexo nunca foi ato meramente biológico, para fins reprodutivos da espécie humana, mas sempre serviu como ferramenta de dominação.
Na antiga Grécia e Roma, o exercício do poder pelo cidadão masculino se dava através do controle do corpo feminino, de jovens e escravos.
No período medieval era fortemente regulado pela igreja, sendo considerado na maioria das vezes pecaminoso qualquer tipo de prazer.
Isso não impediu o surgimento de fissuras na moral cristã, como o personagem Don Juan no século XVII, aristocrata espanhol, cínico e libertino, que seduzia as mulheres.
Foi no Século XX que os mecanismos de repressão começaram a afrouxar, com maior tolerância sobre as relações pré-nupciais e extraconjugais.
O uso dos atributos sexuais da dançarina e espiã Mata Hari durante a Primeira Guerra Mundial exemplificaram o poder de sedução.
No caso de Jeffrey Epstein, poder e sexo se entrelaçaram entre famosos do mundo inteiro.
A liberação de milhões de documentos confirma que a ilha onde ocorriam os encontros era monitorada por câmeras de alta tecnologia ocultas em todos os quartos e banheiros, para chantagear os visitantes famosos.
Nomes como do ex-presidente Bill Clinton – aquele do affair no Salão Oval com a estagiária Monica Lewinsky – ou Bill Gates, fundador da Microsoft que teria medicado sem consentimento sua ex-esposa para tratar de doenças sexualmente transmissíveis contraídas na ilha.
Les Wexner, dono da famosa marca de lingerie Victoria’s Secrets, que organiza anualmente desfiles sensuais com top-models, está envolvido no escândalo.
Outro assíduo frequentador foi o irmão do Rei Charles III, o ex-príncipe Andrew, preso recentemente após investigação que apontou o envio de relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.
No Brasil teve casos como o do curandeiro João de Deus que abusou sexualmente de mais de 300 mulheres no seu centro em Abadiânia ou do médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana que sedava suas pacientes para estuprá-las.
O escândalo do Banco Master revelou um amplo esquema de usar sexo como arma política.
A mansão de Daniel Vorcaro em Trancoso no litoral baiano abrigava festas luxuosas onde eram vedados celulares, mas câmeras ocultas registravam tudo.
A engrenagem da corrupção era sofisticada, onde ostentação e libertinagem lubrificavam a rede de influência junto às autoridades e políticos.
Prostitutas eram importadas da Europa por não dominarem o português nem reconhecerem as figuras públicas presentes no “surubão”.
Agora que o caso no STF saiu do Ministro Dias Toffoli – ex-advogado petista indicado por Lula – e foi sorteado para o Ministro evangélico e bolsonarista André Mendonça, muitos dos políticos envolvidos estão, digamos assim, apreensivos, para não usar um termo de baixo calão.
O uso do cargo para praticar atos libidinosos pode acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar.
Na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a do município gaúcho de Três de Maio, o padre foi afastado após a Operação Pecado Capital.
Suspeitas de desvio dos recursos financeiros da igreja, abuso sexual infantil e vida dupla com mulheres desencadearam a crise de credibilidade do religioso.
Todos esses são exemplos de como algo que deveria ser praticado com responsabilidade, como energia criadora divina e objetivando a harmonia afetiva entre as pessoas, acaba escravizando-as.
Ao invés disso, usam poder e sexo numa mistura perigosa, que um dia acaba explodindo.