#REFLEXÕES… – O BÊBADO E O EQUILIBRISTA – por Jeferson Francisco Selbach

Cachoeira do Sul, · --°C

A música O bêbado e o equilibrista de João Bosco e Aldir Blanc, cantada por Elis Regina em 1979, parece ser perfeita para nosso tempo.

“O bêbado com chapéu-coco”, que “Fazia irreverências mil”, “Pra noite do Brasil” é o retrato do atual presidente.

Seus chapéus inusitados, o apreço pela cachaça antes de alguns discursos, que levam a falas e comportamentos que demonstram total falta de respeito pelas pessoas que governa, mas que a imprensa trata como meras gafes:

“O Brasil seria um dos países mais respeitados no crime organizado”.

“Os traficantes são vítimas dos usuários de drogas”.

 “Não sabia que o Rio Grande do Sul tinha tanta gente negra”.

“Uma afrodescendente assim gosta de um batuque de um tambor”.

“Profunda gratidão ao continente africano por tudo que foi produzido durante 350 anos de escravidão no nosso país”.

“Escravidão deixou como coisa boa a miscigenação entre indígenas, negros e europeus”.

“Que monstro nasceria de um ventre fruto de estupro?”

“Nenhuma mulher quer namorar um cara que é ajudante geral”.

“Mulher com formação não depende do pai para comprar batom e calcinha”.

 “Uma mãe com muitos filhos precisa fechar a porteira”.

Se não fosse o grande líder da esquerda brasileira, certamente seria acusado de machismo, racismo e capacitismo.

Há quem acredite que o excelentíssimo não vá tentar o quarto mandato por conta da idade avançada e, digamos assim, certa senilidade.

É o primeiro presidente octogenário no cargo em toda história do Brasil.

Por um lado, acionaram a máquina de moer reputação e passaram a atacar Flávio Bolsonaro exaustivamente.

Querem a todo custo manter Lula competitivo e no páreo, mas com a primeira-dama cozinhando paca fica difícil.

Ainda mais que a iguaria foi presente de Emílio Odebrecht, antigo conhecido dos tempos do petrolão.

Por outro lado, passaram a cogitar que o ex-Ministro da Fazenda Fernando Haddad seria a aposta para substituir Lula na eleição de outubro.

Não pela sua competência – algo que lhe falta –, mas justamente porque está acostumado a ser sacrificado em nome do partido.

Em que pese a perda de popularidade devido ao aumento do custo de vida geral, o presidente vai tentar o quarto mandato a qualquer custo, nem que tenha de enterrar de vez o lulopetismo no Brasil.

Ele sabe que será escanteado no momento em que anunciar sua desistência.

Como dizem quando quem está no poder perde, até o café passa a ser servido frio e sem açúcar.

Lula deseja viver até o fim dos seus dias como centro das atenções do poder, sendo bajulado, cortejado e consultado para decidir e tomar todas as decisões.

Quer um cortejo fúnebre semelhante aos grandes ídolos, com féretro no carro dos bombeiros acompanhado por milhões de pessoas comovidas e chorando.

Quer ser lembrado como o maior Pai dos Pobres, retirando o título que pertence a Getúlio Vargas originariamente.

Infelizmente para ele, seus governos foram marcados muito mais pela corrupção, pela carestia e pelo assistencialismo barato que surrupiou a esperança de gerações inteiras.

Como cantou Elis, “Chora a nossa Pátria, mãe gentil”, “Choram Marias e Clarices”, “No solo do Brasil”, “Mas sei que uma dor assim pungente”, “Não há de ser inutilmente”, “A esperança dança”, “Na corda bamba de sombrinha”, “E em cada passo dessa linha”, “Pode se machucar”.

*Sociólogo, Doutor em História e Professor Titular da Universidade Federal do Pampa

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