
A honestidade no Brasil patina igual pedestre em calçada suja de óleo.
A Transparência Internacional divulga desde 1995 o Índice de Percepção da Corrupção em 180 países, outorgando valores numa escala de 0 a 100, onde a pontuação mais alta indica o nível de confiança da população na honestidade, ética e eficácia das instituições públicas e privadas.
Mede-se a qualidade do comportamento dos órgãos e servidores públicos, dos mecanismos de controle e fiscalização internos e externos e da integridade e ausência de corrupção.
No topo estão Dinamarca (90 pontos), Finlândia (88), Cingapura (84), Nova Zelândia (83), Luxemburgo, Noruega e Suíça (ambos com 81 pontos).
O Brasil registrou sua pior nota e posição da série histórica, com 34 pontos, ficando na 107ª posição, muito abaixo da média dos países latino-americanos e da média global.
Impactou negativamente o desmonte da luta contra a corrupção com anulações dos procedimentos da Operação Lava-Jato e o avanço da presença cada vez maior do crime organizado nas instituições públicas e privadas.
O processo de captura do Estado se revela de forma sistêmica, ocupando várias instâncias dos Poderes Executivos, Legislativos e Judiciários.
Exemplos não faltam como a renegociação de acordos de leniência de empresas envolvidas em corrupção, o conflito de interesse de magistrados com parentes em lobby judicial e os desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.
Soma-se a operação que desarticulou esquema bilionário no setor de combustíveis comandado por integrantes do PCC, com adulteração e lavagem de dinheiro através de fundos de investimentos que ultrapassam R$ 30 bilhões na Faria Lima em São Paulo.
Isso faz com que a percepção da população de maneira geral seja que a desonestidade compensa e muito.
Está cada vez mais difícil ser honesto frente a tudo que passa diante dos nossos olhos diariamente.
Abundam na internet vídeos da população saqueando cargas dos caminhões que tombam em acidentes nas estradas e furtos de produtos em grandes lojas como a Havan que foi proibida de divulgar os vídeos dos “suspeitos”.
Crescem os golpes cibernéticos que fazem do Brasil o segundo país com mais ataques no mundo, com 1.379 por minuto, sendo 90% por fishing, onde o golpista engana a vítima para roubar suas informações bancárias e fazer transferências.
Apesar dos dados negativos, ainda é maioria o número de brasileiros honestos, que tem no trabalho digno a fonte de sustento e não passa a perna nos outros em proveito próprio.
“O mundo não é dos espertos” – como escreveu Chico Xavier.
A esperteza corrompe a vida e sempre acaba sendo descoberta e virando vergonha.
A honestidade enobrece a alma e se transforma em exemplo para as próximas gerações.
Portanto, aquele que faz da sua vida um mar de lama, acabará no esgoto da sociedade.
Os que permanecem fiéis ao cumprimento dos seus deveres seguirão dormindo com a cabeça tranquila no travesseiro.
A (des)honestidade é desonesta consigo mesma, nunca entregando o que promete.