
A história de Cuba se entrelaça com a dos Estados Unidos há muitos séculos, até pela questão da proximidade de ambos.
Os norte-americanos sempre tiveram grandes interesses econômicos na região caribenha, dominada pelos espanhóis.
No final do Século XIX, empresas de comércio faziam de Cuba entreposto das mercadorias, principalmente do açúcar.
A população cubana havia travado rebeliões visando à independência, sem, contudo, obter êxito.
Em 1895, o poeta José Martí e os generais Máximo Gómez e Antonio Maceo tentaram novamente obter a independência cubana.
Os espanhóis consideravam a ilha como província e não colônia, chegando a afirmar que estariam dispostos a sacrificar até a última peseta do seu tesouro e até a última gota de sangue antes de consentir que alguém arrebatasse um pedaço do seu território.
A cobertura jornalística era tendenciosa, demonizando a presença espanhola e o sofrimento da população local, vítima indefesa à espera da salvação americana.
Em 5 de fevereiro de 1898, o navio Maine explodiu e afundou no porto de Havana, vitimando 266 marinheiros americanos.
A opinião pública exigiu resposta beligerante, levando os Estados Unidos a entrarem no conflito e a derrotarem os espanhóis.
Data desta época o surgimento do coquetel composto por rum branco Bacardí, Coca-Cola, gelo e limão.
O pedido teria sido feito pelo Capitão Russell do exército dos Estados Unidos, num bar do Hotel Plaza, em Havana.
Para celebrar a vitória, fez um brinde entonando aos gritos de Cuba Libre!, lema das forças de independência locais.
Os Estados Unidos governaram diretamente a ilha até 1902, quando ocorreu a independência cubana, mas seguiriaM intervindo na política interna até os anos 30, incluindo a instalação da base naval permanente em Guantánamo.
Nas décadas iniciais da independência, Cuba teve governos marcados pela instabilidade e corrupção que contribuíram para manter a forte influência dos Estados Unidos.
O presidente de maior permanência foi Fulgêncio Batista, eleito em 1933 e que governou até 1944, retornando por golpe militar em 1952, e permanecendo até a revolução comunista de 1959.
Neste período favoreceu o turismo dos cassinos com capital da máfia norte-americana, como bem retratado no segundo filme do Poderoso Chefão.
Como todos revolucionários, os comunistas liderados por Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara prometeram restaurar a democracia, buscar a justiça social e promover a reforma agrária, acabando com a corrupção e a tirania estatal.
Entregaram justamente o contrário, começando pela nacionalização das empresas estrangeiras e locais – como a própria Bacardí que fornecia o rum do Cuba libre –, o que levou ao rompimento do governo norte-americano.
O alinhamento foi automático com a União Soviética, acirrando a guerra fria, que incluiu a invasão da baía dos porcos em 1961 e a crise dos mísseis nucleares no ano seguinte.
Desde então a ilha foi submetida ao embargo econômico, que acabou sendo a justificativa perfeita para a má administração comunista ao longo das décadas, levando o povo à miséria extrema.
O embargo chega agora à efetividade com Donald Trump, que cortou completamente o envio do petróleo venezuelano subsidiado para Cuba, desencadeando intensas revoltas populares.
Para desespero da esquerda brasileira lulista, o presidente Miguel Díaz-Canel declarou estar em negociação com os Estados Unidos.
A mais simbólica experiência má sucedida do comunismo nas América está, finalmente, no fim dos dias.
É chegada a hora de brindar mais uma vez com uma Cuba Libre!
*sociólogo, doutor em História e professor titular da Universidade Federal do Pampa