
O inverno chegou com tudo.
A estação mais gelada do ano começou com frio de rachar os beiços.
O período é espetacular para quem gosta de ficar em casa, se esquentando na lareira ou no fogão a lenha, tomando sopa, caldo quente ou outra refeição que aqueça o corpo.
Aos que pegam ônibus já complica, porque primeiro não sabem quando o transporte vai realmente passar e esperar nas paradas abertas com vento gela até a alma.
Lagartear ao sol comendo bergamota é tradição.
Assim como as campanhas do agasalho, que arrecadam para aqueles que mais sentem frio.
As doações estão abaixo do esperado, com volume doado menor do que o necessário para atender a todos que precisam.
O fenômeno tem duas razões.
A primeira é que com o endividamento batendo quase 90% das famílias, limpar o guarda-roupa já não é mais possível.
Roupas antigas seguem sendo usadas antes de trocá-las por novas.
O pouco dinheiro que sobra do orçamento doméstico vai para pagar as contas, inclusive as dos outros, como da água, que além dos 4,68% de reajuste autorizado para a Corsan, vai ter adicional de 5,76% para custear a nova Tarifa Social.
São os impostos indiretos que pagamos mensalmente.
A conta de vinte famílias consumidoras custeará uma família não pagadora.
Ai entra a segunda razão pela baixa doação de agasalhos.
Muitos estão cansados com tantos auxílios sociais para os mais pobres: bolsa família, BPC, pé-de-meia, auxílio-gás e energia elétrica gratuita.
Quando a assistência social foi implantada institucionalmente no Brasil, tinha por objetivo reunir as doações e entregar para quem realmente necessitasse.
Essa era a função das assistentes sociais, selecionar os que efetivamente precisam daqueles que só querem viver à custa da caridade alheia.
Pois esse filtro não existe mais e não é por culpa das assistentes sociais que exercem um excelente trabalho profissional.
O responsável pelo desequilíbrio assistencial é o próprio Governo petista do pai Lula que todos os dias inventa novos benefícios para conseguir votos e se eleger perpetuamente.
Se o Governo não tem mais filtro, resta ao cidadão comum decidir para quem vai querer direcionar suas doações.
Aqueles que ainda se desapegam de roupas antigas, optam com razão de escolher para quem vão doar.
Repassam para algum amigo ou mesmo desconhecidos que possam aproveitar ou distribuir para vizinhos.
É desta forma que décadas de assistencialismo esquerdista fomentaram o aumento da caridade de indivíduo para indivíduo, sem necessidade de intermediários públicos.
É assim que a sociedade se reorganiza, sem governo que para conquistar poder político faz caridade com chapéu alheio.