
O cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva assolou o sertão nordestino 100 anos atrás.
Ganhou o apelido por ser capaz de disparar o rifle Winchester tão rapidamente que iluminava a noite como um lampião.
Era chamado de rei do canganço por liderar um grupo de bandidos, saqueando, torturando, sequestrando, estuprando e assassinando mais de 1 mil pessoas ao longo de 16 anos.
Juntou-se com sua companheira Maria Bonita no início dos anos 30, tendo sido fotografado com todo bando em 1936 para sair no The New York Times.
Encontrou seu fim junto com todo bando em 1938 a partir de ataque certeiro dos policiais, que os pegaram desprevenidos e metralharam sem piedade ao carniceiro.
Alguns cangaceiros debandaram em disparada, mas 11 tiveram as cabeças decepadas, salgadas e embebidas em aguardente e cal para serem expostas em várias praças públicas.
Os corpos foram deixados expostos para servir de alimento aos urubus e o enterro definitivo ocorreu somente em 1969.
Lampião seria o letrista da música Mulher rendeira que virou hino de guerra cantado nos ataques às comunidades.
As andanças dos cangaceiros pelo sertão eram acobertadas por parte da população rural, que consideravam os bandos como defensores dos mais fracos e oprimidos, vítimas dos desmandos dos coronéis.
O fenômeno do banditismo social ou Robin Hood do Sertão tinha razão nas injustiças sociais que ocorriam devido às desigualdades, à seca e à estrutura política vigente.
Por esta razão virou símbolo nordestino tanto de resistência e do fazer justiça com as próprias mãos, quanto da selvageria devido aos crimes brutais que cometiam.
O autor de Vidas Secas Graciliano Ramos resumiu Lampião como simplesmente um bárbaro, cruel e sanguinário parasita social.
Em recentes declarações públicas, o excelentíssimo presidente Luis Inácio Lula da Silva, pernambucano de nascença, disse ter a sanguinidade de Lampião para se comparar à resistência frente aos Estados Unidos.
Mal sabia o grande líder que a metáfora utilizada tem maior relação com a prática do banditismo social do cangaço.
Em seu Relatório anual de Fiscalizações em Políticas e Programas de Governo, o Tribunal de Contas da União aponta que as políticas públicas são dispersas e mal geridas, com o Estado sendo pródigo em gastar e pobre nos resultados.
O governo Lula despenca centenas de bilhões de reais anualmente nos programas sociais de redistribuição de renda e a pobreza, pasmem, continua nos mesmos níveis.
O combate à fome vai novamente voltar nesta eleição, pois serve de eterna base de votos.
Como Lampião, os programas sociais não tiveram o altivo objetivo de permitir com que as pessoas saiam da pobreza, mas tão somente uma maneira de um grupo se manter no poder a qualquer custo.
Mesmo que para isso seja necessário esfolar a parte trabalhadora da população.
É a típica política do cangaço.