Protestos e vaias marcam anúncio de R$ 12 bilhões para socorro ao agronegócio na Expointer

Cachoeira do Sul, · --°C

O anúncio de um pacote de R$ 12 bilhões do governo federal para a renegociação de dívidas de produtores rurais gaúchos não conseguiu amenizar o clima de tensão na abertura oficial da Expointer 2025, em Esteio, nesta sexta-feira (5). A medida provisória foi apresentada pelos ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), mas foi recebida com vaias, gritos e manifestações de agricultores que cobram mais rapidez e abrangência no apoio após as enchentes e sucessivas perdas de safra no Estado.

Logo no início da cerimônia, coroas fúnebres e balões pretos foram posicionados em frente à pista de exposições, simbolizando a insatisfação do setor e lembrando casos de suicídio ligados ao endividamento no campo. Durante os discursos, as manifestações se intensificaram. “Entendo perfeitamente as manifestações, mas peço também respeito”, disse Fávaro, tentando acalmar o público.

O que prevê o pacote federal

De acordo com o ministro da Agricultura, os R$ 12 bilhões terão dois anos de carência, com o pagamento da primeira parcela apenas em 2027. Além disso, a medida abre espaço para que bancos e instituições financeiras possam ampliar o crédito em até R$ 20 bilhões adicionais. “As medidas atenderão plenamente os produtores endividados e vão destravar o Plano Safra, que estava travado pela inadimplência”, afirmou Fávaro.

Apesar disso, ele deixou claro que novos anúncios não estão previstos. “Os anúncios foram feitos”, resumiu.

Reações no RS

O governador Eduardo Leite também enfrentou vaias ao discursar. Ele avaliou o gesto como uma movimentação política, mas reconheceu que o valor anunciado ainda precisará ser analisado. “É um avanço importante. Vamos avaliar os termos da medida provisória e, se necessário, buscar aprimoramentos no Congresso”, afirmou.

Já o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Gedeão Pereira, disse que o pacote cobre apenas metade da necessidade estimada pela entidade, que calcula em R$ 27,4 bilhões o total das dívidas dos agricultores gaúchos. “É insuficiente, mas é melhor que nada. Vamos aceitar o que vem e seguir lutando”, declarou.

O presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, também considerou os recursos limitados. “O anúncio é um passo, mas na prática o agricultor enfrenta uma burocracia enorme até ver o dinheiro chegar”, ressaltou.

O peso da crise no campo

Segundo levantamento da Farsul, mais de 65 mil produtores do Rio Grande do Sul estão endividados junto a instituições como Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi. O passivo acumulado após cinco safras afetadas por excesso de chuva ou estiagem chega a R$ 27,4 bilhões.

Durante a cerimônia, o secretário estadual da Agricultura, Edivilson Brum, pediu um minuto de silêncio em memória de agricultores que tiraram a própria vida diante das dívidas. “Esta edição da Expointer precisa ser um ponto de inflexão, quando a dor se transforma em movimento”, afirmou.

A Expointer 2025 tem programação até domingo (7), no Parque Assis Brasil, em Esteio.

Rolar para cima