Primeiros efeitos do El Niño chegam ao RS com risco de temporais e chuva de até 500 milímetros

Cachoeira do Sul, · --°C

O Rio Grande do Sul começa a sentir, nesta semana, os primeiros reflexos do retorno do El Niño. Oficialmente declarado em junho, o fenômeno climático passa a influenciar de forma mais evidente as condições atmosféricas no Estado, favorecendo uma sequência de temporais, chuva volumosa e temperaturas acima da média para esta época do ano.

A mudança no padrão do tempo já deve ser percebida a partir desta quinta-feira (16), quando áreas de instabilidade avançam sobre o território gaúcho. Conforme alerta da Defesa Civil Estadual, o cenário será marcado por vários dias consecutivos de chuva, acompanhada por rajadas de vento, granizo e intensa atividade elétrica.

As primeiras regiões atingidas serão o oeste, a Campanha e a Região Central, onde os temporais poderão ocorrer ainda durante a madrugada. As rajadas de vento podem ultrapassar os 90 quilômetros por hora, elevando o risco de queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia e danos em estruturas.

Na sexta-feira (17), a atuação de ventos quentes vindos do norte do continente deve aumentar a instabilidade, ampliando a possibilidade de tempestades severas em municípios da Região Central, Campanha, oeste, sul, Costa Doce e Região Metropolitana de Porto Alegre. Nesses locais, segundo a Defesa Civil, a chuva poderá ocorrer de forma intensa em curto intervalo de tempo, aumentando o risco de alagamentos, além da ocorrência de granizo e descargas elétricas.

Embora a metade norte do Estado ainda apresente tempo firme no início do período, as temperaturas deverão subir antes da chegada da frente de instabilidade, comportamento considerado característico da influência do El Niño. Segundo análise do Meteored, o fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação da atmosfera em escala global e costuma produzir impactos graduais sobre o clima, especialmente na América do Sul.

Entre os principais efeitos esperados está o aumento das temperaturas médias durante o inverno. No território gaúcho, porém, o impacto mais imediato deverá ocorrer sobre o regime de chuvas. O fortalecimento dos chamados Jatos de Baixos Níveis — corredores de vento que transportam grande quantidade de umidade para a Região Sul — cria um ambiente favorável à formação de sistemas de tempestades mais frequentes e intensos.

As projeções meteorológicas indicam acumulados expressivos de precipitação ao longo dos próximos 15 dias. Em algumas áreas do Estado, os volumes poderão superar 500 milímetros, cenário que amplia a preocupação com alagamentos, transbordamento de arroios e rios, enxurradas e outros transtornos associados ao excesso de chuva.

Diante da previsão, a Defesa Civil recomenda que a população acompanhe a atualização dos alertas meteorológicos e evite permanecer em áreas sujeitas a alagamentos, bem como próximo de árvores e estruturas vulneráveis durante a ocorrência dos temporais.

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