Primeira Caixa d’Água de Cachoeira do Sul completa 100 anos

Por 20 de setembro de 2021

Flagrante da inauguração da Hidráulica / 20/9/1921 / Crédito: fototeca Museu Municipal

Feriado. Dia do Gaúcho. Para Cachoeira do Sul, além do marco histórico da Revolução Farroupilha, data ainda trz um capítulo especial. Há 100 anos, precisamente no dia 20 de setembro de 1921, o Intendente Aníbal Loureiro procedeu à inauguração das obras hidráulicas destinadas ao abastecimento de água da cidade.

Caixa d’Água da primeira hidráulica / Crédito: acervo COMPAHC

A inauguração constou de dois atos: um, no recinto da própria hidráulica, às 15 horas, e outro, no interior do Mercado Público, antes de ter início a quermesse em benefício do Hospital de Caridade. Em ambos, falou o Intendente que naquele dia comemorava também o primeiro ano de sua administração.

O jornal O Comércio (1900-1966), em sua edição do dia 28 de setembro de 1921, publicou extensa matéria relatando a inauguração. Eis alguns trechos daquela edição:

Há muitos anos que não víamos a multidão se associar tão espontaneamente às festividades de caráter oficial e cívico como aconteceu no dia 20 de setembro, onde a população em peso acorreu à inauguração das importantes obras executadas e com calor sagrou a passagem do primeiro ano de administração do nosso ilustre, operoso e esforçado edil, Dr. Annibal Loureiro.

De fato havia razão, e razão de sobra, para o povo estar jubiloso, pois uma parte do brilho que à administração municipal vem imprimindo S. Excia., reflete-se diretamente sobre essa gleba de trabalho e progresso e é um exemplo poderoso para todas as municipalidades do Estado.
(…)
O Comércio que há mais de quatro lustros vem se batendo pelos mais vitais melhoramentos da nossa urbs e do município, sente-se hoje feliz em poder descrever as relevantes obras inauguradas, motivo pelo qual congratula-se com a população cachoeirense.

A HIDRÁULICA

As obras construídas constituem um harmonioso e belo grupo de construções, onde o arrojo se alia belamente para mais honra dar aos construtores.

De fato, à margem do rio Jacuí, a captação foi feita por meio de uma casa de máquinas que é quase um poço, com dimensões mínimas, o estritamente necessário para o acesso do pessoal, colocação de encanamentos, luz, ventilação e passagem das correias transmissoras.
(…)
Assim, foi com curiosidade e prazer que visitamos esta parte e verificamos o esforço de adaptação necessário para o ajuste de tantas peças, canos e fios com simplicidade e sem constrangimento para o pessoal mecânico encarregado de fazer funcionar as máquinas.

O poço tem, no solo, a profundidade de 12,40 com 1,5 X 2,5 de seção, e acima do solo, eleva-se 3 metros para abrigo do motor elétrico aí colocado.

A bomba, a três pistons, (…), da marca Worthington, USA, dá 30.000 litros d’água com 42 revoluções por minuto. É acionada por um motor elétrico de 14 HP, marca Sucksen Werke, por intermédio de duas correias de transmissão. Este material foi fornecido pela firma Bromberg & Cia., importante casa com filial nesta cidade, dirigida pelo nosso operoso amigo Sr. Guilherme Iken.

Do assentamento das mesmas encarregou-se, mediante contrato, a referida firma, que para isto destacou o mecânico Ernesto Grübner e o hábil engenheiro Dr. Ricardo Klinger. A água desta bomba é recalcada numa extensão de 200 metros, vencendo a altura total de 50 metros até um elegante chafariz, imitação de granito, adquirido pela municipalidade em Porto Alegre, na casa J. Vicente Friedrichs, donde cai e passa cascateando em três tanques destinados a prefiltrá-la e é recolhida a um grande reservatório a nível de cento e cinquenta mil litros de capacidade. Daí é aspirada por uma bomba centrífuga, marca Sulzer, diretamente ligada a motor elétrico e recalcada para a torre de cimento armado, de 16,50 m de altura e 100 metros cúbicos de capacidade. Esta torre, com orgulho o dizemos, é um recorde e marca uma data, pois é a primeira deste vulto construída no Estado. Suas linhas delicadas e bem construídas receberam elegante ornamentação de muito bom gosto artístico, como todas as obras bem lançadas de cimento armado. Ao aspecto de completa solidez e segurança, alia o de fragilidade imensa, o que foi por todos verificado no dia da inauguração.

O recinto é fechado por muro de grades, oferecendo um aspecto de sóbria beleza e bem aproveitado capital. O terreno que será dentro em breve todo ajardinado, foi nivelado, sendo o muro da face oeste construído em forma de muro de arrimo.

O belo panorama que dali se descortina, através de várzeas e coxilhas com o Jacuí mansamente rolando suas tranquilas águas por coleante e caprichoso curso orlado de luxuriantes matas, foi cuidadosamente conservado, sendo o muro cortado e substituído numa extensão de 60 metros por uma linda balaustrada.

Os encanamentos

A água atualmente é distribuída na cidade por cerca de 2.500 metros de encanamentos de aço Mannesmann, assentados nas ruas D. Luiza, 7 de Setembro, Ferminiano, 15 de Novembro, 7 de Abril e Moron.

O custo das obras

Estas obras montaram a cerca de 170:000$000 e já estão quase completamente pagas, faltando pagar uma quota de uns 12:000$000, por força dos contratos.

*texto Mirian Ritzel