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quarta-feira, 2 dezembro, 2020 - 08:52
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Precisamos falar sobre depressão

Depressão: pessoas acometidas pela doença devem ter apoio incondicional da família / Fotos: Divulgação

Sempre que alguém chega à decisão extrema de tirar a própria vida e acaba consumando tal ato, se faz necessário reacender o debate em torno da depressão, uma doença silenciosa que pode estar dentro de qualquer lar e em qualquer classe social. E falar sobre depressão tem necessidade reforçada quando suas consequências drásticas repercutem com intensidade na comunidade.

A psicóloga Milena Siqueira da Silva, do Educentro de Cachoeira do Sul, ressalta que é papel dos familiares assegurar ao indivíduo apoio incondicional, fazer com que ele tenha certeza que sua família é o seu porto seguro. “Menosprezar a doença com frases como ‘isso é frescura, ‘tu tem que sair dessa’, não ajuda em nada. É preciso ouvir, ser compreensível, dar apoio, passar certeza de amparo”, salienta Milena.

Ela explica que a primeira providência prática a ser tomada pela família é buscar apoio psicológico ou psiquiátrico, seja por meio de profissional particular ou no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). Tratamento coletivo envolvendo o indivíduo doente e seus familiares também é importante. “Em muitos casos, a depressão não afeta somente o indivíduo doente, mas todo o núcleo familiar. Em situações como essa, o tratamento coletivo dessa família pode ser uma ótima alternativa”, destaca a psicóloga Milena.

 

“Vício” em celular e redes sociais pode agravar quadro depressivo

Em tempos de inclusão digital, o uso demasiado de smartphones e outros dispositivos móveis pode agravar o quadro depressivo. A psicóloga Milena Siqueira da Silva explica que, atualmente, boa parte das famílias tem uma conexão muito forte com as redes sociais, e isso acaba gerando carência de empatia nos lares.

A consequência disso é a falta de diálogo, sensação de que um indivíduo está atrapalhando o outro ao querer conversar, e esse distanciamento deixa quem sofre com depressão inseguro, sem ter a quem recorrer. “O diálogo é fundamental. Acompanhar o tratamento, buscar saber se a pessoa está utilizando corretamente medicamentos eventualmente prescritos, também é importante. Se a pessoa tem perfil suicida, com histórico de já ter tentado alguma vez tirar a própria vida, também é importante redobrar a atenção com objetos cortantes dentro de casa”, explica Milena.

 

Psicóloga Milena Siqueira da Silva

ENTREVISTA:

Psicóloga Milena Siqueira da Silva

Portal OCorreio Digital – É possível identificar com facilidade e clareza uma pessoa com depressão?

Milena – A primeira imagem que vem à mente quando falamos em depressão é a da pessoa melancólica, triste, jogada num canto, desleixada com a própria aparência. No entanto, não é exatamente assim. Pessoas com vida aparentemente normal podem ter depressão e conseguem disfarçar muito bem. Até porque o indivíduo pode estar doente sem saber, ou simplesmente não quer aceitar que está depressivo.

 

Portal OCorreio Digital – Quais são os principais sintomas, sinais ou indícios de depressão?

Milena – A família deve ficar atenta principalmente a oscilações de humor, irritabilidade, cansaço constante, ansiedade, angústia, dificuldade de demonstrar afeto, distúrbios alimentares (comer muito pouco ou em excesso), falta de interesse em coisas e hábitos que sempre foram prazerosos (academia, esportes, festas, leitura, etc). Qualquer um desses sinais merece atenção por parte da família e do próprio indivíduo.

 

Portal OCorreio Digital – Existem causas específicas para a depressão?

Milena – Nem sempre há uma razão para se estar deprimido. Quem perdeu o emprego, rompeu um namoro ou casamento nem sempre fica deprimido. Pessoas com a vida amorosa, familiar e financeira estabilizada, sem qualquer motivo aparente, também podem ser acometidas pela depressão.

 

Portal OCorreio Digital – Como a família pode agir?

Milena – Jamais menosprezar a doença. Isso em nada ajuda. O diálogo é fundamental. A pessoa precisa ter a certeza que tem um ombro amigo, que sua família é seu porto seguro. E a busca por tratamento médico é imprescindível, seja pelo Caps ou acompanhamento particular com psicólogo ou psiquiatra.  Estar atento a sinais de decisões mais drásticas também é importante para evitar consequências trágicas.

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