O mercado do arroz atravessa uma semana de ajustes e incertezas, marcada por reações distintas entre as principais regiões produtoras do país. A recente portaria que autoriza a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a realizar compras públicas do cereal adicionou um novo elemento às negociações, influenciando expectativas e movimentando as cotações.
Levantamentos de mercado indicam que, em algumas praças, o preço do arroz em casca ganhou fôlego, sustentado pela atuação de atacadistas e redes varejistas na recomposição de estoques. Em outras regiões, contudo, o cenário foi de estabilidade ou ligeira queda, reflexo de uma oferta mais presente e de uma demanda que ainda não mostra fôlego uniforme. Entre as praças mais valorizadas do Rio Grande do Sul, destaque para Cachoeira do Sul, Santa Cruz do Sul, Arroio Grande, Encruzilhada do Sul e Viamão, onde os preços variam de R$ 67,50 a R$ 70,00 a saca de 50 quilos tipo 1 com 58% de grãos inteiros.

Portaria da Conab mexe com as estratégias do mercado
A decisão do governo pela compra através da Conab, embora não tenha efeito imediato sobre os preços, já começa a ser incorporada pelas estratégias dos agentes do setor. Muitos produtores mantêm postura defensiva, evitando colocar grandes volumes no mercado enquanto aguardam sinais mais claros sobre como as compras da Conab poderão influenciar as cotações nos próximos meses. Essa retenção, no entanto, esbarra no avanço da colheita e na necessidade de liquidez financeira de parte dos agricultores.
No front externo, as exportações seguem exercendo papel de sustentação para o setor, mas a recente valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, diminuindo o ritmo de novos contratos e, consequentemente, a liquidez interna.
O comportamento dos compradores também é desigual: grandes redes continuam ativas nas aquisições, enquanto atacadistas e beneficiadoras de menor porte adotam cautela, preferindo esperar oportunidades de compra a preços mais baixos.
Especialistas avaliam que o mercado deve permanecer sensível tanto às movimentações do governo quanto às condições de oferta e demanda, internas e externas. Nesse contexto, a portaria que autoriza a compra de arroz pela Conab se torna um fator-chave a ser monitorado, com potencial de reconfigurar o equilíbrio entre oferta, demanda e preços no médio prazo.