Atualizada às 17h06min de 08/07/2025 para adição de informações – Policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Cachoeira do Sul deflagraram na manhã desta terça-feira (8) uma operação para desmantelar um esquema que tem como escopo o crime de estelionato. O alvo foi uma revenda de veículos situada na Avenida Brasil, nas proximidades das Cinco Esquinas.

De acordo com o delegado Tiago Bittencourt, titular da Draco, as investigações começaram em maio deste ano a partir de uma denúncia de estelionato em que a vítima havia pago R$ 7 mil por um carro, mas nunca recebeu o veículo. Quando foi cobrar o dono da revenda, afirma ter sofrido ameaça. Na esteira desse primeiro registro de ocorrência, vieram outros três. “Essas quatro denúncias apontam basicamente o mesmo modus operandi: ele recebia dinheiro adiantado das vítimas, em espécie ou em pix, as ludibriava, não entregava os veículos, apenas um recibo frio, e por vezes ainda fazia ameaças a algumas delas”, relatou o delegado Tiago Bittencourt. (CONTINUA ABAIXO DA PUBLICIDADE)
Em pelo menos um caso, segundo o delegado, o empresário chegou a pegar dados de uma vítima, fez selfie e contraiu um financiamento bancário em nome dela. “A loja, em si, não era um negócio ilícito, mas servia como instrumento do crime”, revelou o delegado. Com o apoio da Brigada Militar, a quadra da Avenida Brasil entre as Cinco Esquinas e a Rua Santos Filho foi fechada para o andamento da ação policial.

Suspensão da atividade econômica e apreensão de 23 veículos
A Polícia não revela o nome do empresário, mas a reportagem do Portal OCorreio apurou se tratar de Mariton de Oliveira Pinto, que possui várias lojas espalhadas em diversos pontos da cidade. No curso das investigações da equipe da Draco, o delegado Tiago Bittencourt representou por medidas cautelares que foram deferidas pela Justiça, como suspensão da atividade econômica e mandado de busca e apreensão.
Na manhã desta terça-feira, 23 veículos foram apreendidos na revenda, praticamente todos com algum tipo de irregularidade. Trata-se de todo o estoque da loja. De acordo com o delegado Tiago Bittencourt, pelo menos um desses carros tem registro de furto, mas a Polícia Civil apura a veracidade do registro da ocorrência, já que em alguns casos a pessoa que vende o veículo registra o furto por não ter recebido o valor, com o objetivo de “esquentar” a cobrança do valor devido.
No curso das investigações, a Polícia Civil apurou ainda que havia mais de 60 registros de ocorrências de estelionatos, associação indébita e casos correlatos, crimes pelos quais o empresário passa a responder no âmbito desse inquérito. O empresário Mariton de Oliveira Pinto foi conduzido à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). O suspeito foi liberado. A defesa optou por pedir acesso aos autos antes da tomada do depoimento, que será agendado para outra data.