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quarta-feira, 25 novembro, 2020 - 10:23
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Pelé: 80 anos de uma lenda do futebol

Crédito: Santos

Neste mês de outubro, em que Pelé completa 80 anos nesta sexta-feira (23), o Rei do Futebol vira centro das atenções do mundo esportivo. Edson Arantes do Nascimento, no dia 1º de outubro de 1977, portanto há 43 anos, se despediu da carreira em um jogo que reuniu as duas únicas equipes que defendeu na vida: o Santos, pelo qual jogou 17 anos brilhantes, e o Cosmos, de Nova York, para onde foi completar sua história e semear o futebol nos Estados Unidos.

A tarefa fora cumprida da maneira mais espetacular. Pouco mais de um mês antes, em 28 de agosto daquele ano, Pelé tinha sido campeão norte-americano depois da vitória do Cosmos sobre o Sounders, por 2 a 1, no Civic Stadium, em Portland, um estádio de beisebol adaptado para o futebol que recebeu 35.548 pessoas na final.

Pelé jogou muito bem, fez inúmeras boas jogadas, mas não marcou em sua última partida oficial. Isso não impediu, entretanto, que se firmasse como a grande celebridade do esporte americano. Ao final da partida, Phill Woosnam, presidente da liga, disse que Pelé havia trazido credibilidade à instituição. Com ele, a média de público do futebol nos Estados alcançou 33 mil pessoas, maior do que a do Campeonato Paulista, que era muita alta na época.

No jogo despedida com o Santos, transmitido para vários países e para todo o Brasil, Pelé vivia mais um momento mítico. Entre os 75 646 espectadores que lotaram o Giant Stadium estavam o lendário campeão mundial de boxe Muhammad Ali (Cassius Clay), o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger e Jeff Carter, filho do presidente Jimmy Carter.

Ficou acertado que Pelé jogaria um tempo para cada equipe, a começar pelo Cosmos. Ou seja, no segundo tempo, os times mudariam de lado, menos ele. O técnico do Santos, Otto Glória, escalou o time com Ernâni, Fernando, Joãozinho, Alfredo e Neto; Carlos Roberto, Zé Mário e Ailton Lira; Nilton Batata, Reinaldo (depois Juary) e Rubens Feijão (Bianchi).

O Cosmos foi armado pelo técnico Eddie Firmani com Messing (Yasin), Nelsi (Hunter), Roth (Mike), Carlos Alberto (Bob Smith) e Rildo (Formoso); Garbett (Vitor) e Beckenbauer; Tony Field (Ord), Chionaglia, Pelé (Miflin) e James Hunt (Oliveira).

Time em formação, que só atingiria o seu auge no ano seguinte, o Santos tinha problemas em algumas posições, mas mesmo assim mostrou personalidade e logo no início buscou o ataque. Ailton Lira enfiava passes para Rubens Feijão e Reinaldo, que estavam se entendo bem.

Aos 14 minutos o goleiro Firmani saiu jogando errado, Neto cortou, passou a Feijão, que deixou Reinaldo em ótima condição para chutar e abrir o marcador. A vantagem santista contra o campeão americano era justa. Mas, aos poucos, o Cosmos tomou a iniciativa em busca do empate.

Quase ao final do primeiro tempo, Alfredo cometeu falta dura e feia para parar um bom ataque do Cosmos. Em meio às vaias da torcida para o zagueiro santista, Pelé se preparou para cobrar a infração. A distância era longa e o goleiro Ernani pediu apenas dois jogadores na barreira. Pelé chutou forte, rasteiro, no canto esquerdo do goleiro santista, que nem conseguir tocar na bola.

Ele concretiza todos os seus sonhos. O homem é abençoado… Dizia o narrador Walter Abrahão, bastante emocionado. Aquele gol, 22 dias antes de Pelé completar 37 anos, dava a impressão de que ele era mesmo uma espécie de super herói. Só os santistas é que não gostaram muito do gol, claro. Mas ainda havia o segundo tempo.

Na segunda etapa, Pelé entrou no lugar de Ailton Lira. Percebia-se que Ele corria e se esforçava bastante. Participou de várias lances de perigo para a meta do Cosmos, tabelou, chutou, mas o empate não veio. Só que, àquela altura, o gol, realmente, seria apenas mais um detalhe.

Ao final da partida, acompanhado de jogadores dos dois times, Pelé deu uma volta olímpica segurando bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil. No seu discurso, como fizera após o gol 1000, em 1969, pediu atenção dos governantes para as crianças e pregou o amor.

Em um momento da solenidade, o falante pugilista Muhammad Ali, que costumava repetir nas entrevistas que era “o maior do mundo”, abraçou Pelé no centro do gramado e segredou-lhe ao ouvido: “Nós somos os maiores do mundo”.

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