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domingo, 9 maio, 2021 - 22:27
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Palometa é capturada na Praia Velha do Rio Jacuí

Praia Velha de Cachoeira do Sul: pescador Rodrigo Barbosa mostra palometa capturada nesta sexta-feira / Foto: Maria Ione Rodrigues Barbosa/Divulgação

Um exemplar da temida palometa – espécie de piranha que invadiu as águas de rios da Região Central do Rio Grande do Sul – foi fisgada na manhã desta sexta-feira (30) em Cachoeira do Sul, na Praia Velha do Rio Jacuí. Os pescadores Rodrigo Rodrigues Barbosa, 32 anos, e Hélio Pinto Barbosa, 68, revisavam espinhéis na região do início da Rua Moron quando encontraram o predador no material de pesca, em meio a pintados parcialmente devorados e outras espécies nativas de peixes.

Rodrigo, que desde o início de abril vem relatando prejuízos provocados por palometas à atividade pesqueira de sua família, teve nesta sexta-feira o primeiro contato direto com um exemplar da espécie invasora. “Era a nossa rotina diária, de tirar os espinhéis de manhã cedo, eu o pai, quando encontramos a piranha. Ao lado dela, havia outros peixes já comidos, provavelmente por ela mesma”, relata o pescador. O exemplar capturado por pai e filho tem aproximadamente 20 centímetros.

MONITORAMENTO FEDERAL

Ao aparecimento de palometas no Rio Jacuí, também conhecidas como piranhas vermelhas, vem sendo acompanhado de perto pelo governo federal. O monitoramento conta com trabalho conjunto de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e da Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, juntamente com municípios banhados pelo Jacuí.

A primeira etapa da estratégia de enfrentamento à invasora é detectar a origem do surgimento no Jacuí. Em entrevista à imprensa, o analista ambiental do Ibama Maurício Vieira de Souza explicou que o órgão vem acionando as prefeituras em busca de informações.

Os dados serão encaminhados posteriormente para especialistas da área ambiental do governo federal analisarem o tema com maior profundidade para então chegarem a uma conclusão sobre como as piranhas foram surgir no Rio Jacuí. “Esse evento é recente. Estamos justamente em um momento crítico, de a coisa estar acontecendo”, pontuou Souza.

Relatos semelhantes de prejuízos à pesca também já foram relatados em General Câmara, município gaúcho da Região Carbonífera que também é banhado pelo Rio Jacuí. Um dos grandes temores dos especialistas é o da espécie se alastrar e chegar ao Guaíba, em Porto Alegre. De águas mais calmas, o lago é tido como um ambiente ainda mais favorável para a sobrevivência e proliferação desenfreada da espécie.

Quanto à origem do problema, a causa mais provável é de que as piranhas tenham chegado ao Rio Jacuí por meio de sistemas de irrigação de lavouras de arroz na confluência das bacias dos rios Ibicuí e Vacacaí.

CANAL DE REGISTRO DE APARECIMENTO

Após os registros de aparecimento de palometas em Cachoeira do Sul e outros municípios banhados pelo Rio Jacuí, o Ibama abriu um canal na internet para que qualquer cidadão, como pescadores, ribeirinhos e técnicos da área ambiental, possam fazer registros da ocorrência da invasora.

O formulário pode ser preenchido por qualquer pessoa disposta a colaborar com as investigações científicas necessárias e com as autoridades ambientais Ibama, SEMA-RS e prefeituras municipais no enfrentamento a invasão biológica dessa espécie de peixe natural da Bacia do Rio Uruguai. Para preencher documento e fazer upload de fotos e outros arquivos, basta ter uma conta no Google.

CLIQUE AQUI para preencher o formulário.

 

FIQUE POR DENTRO

AS CARACTERÍSTICAS DA PALOMETA/PIRANHA VERMELHA (Serrasalmus maculatus)

  • Tamanho: na fase adulta fica, em média, em torno de 20 centímetros, podendo passar de 25 centímetros.
  • Peso: depende do tamanho, mas em geral, é de cerca de 250 gramas no adulto.
  • Reprodução: têm ciclo reprodutivo anual. A desova é feita em margens de corpos d’água, em águas calmas, rasas e em geral com vegetação aquática, galhos, pedras e outros abrigos. A fêmea cuida dos ovos até a eclosão. Podem viver até 20 anos, e maturam com aproximadamente dois anos.
  • Ambiente: nativa do RS, a espécie ocorre desde a região do prata (bacia do rio Uruguai e Paraná, com ocorrência no Uruguai, Argentina e indo até Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, com registro até a bacia do rio São Francisco). Em outros Estados, é como pirambeba ou piranha branca.
  • Predador natural: na fase adulta, jacarés, ariranhas, lontras ou outros peixes também predadores, como o dourado, traíra, trairão ou elas próprias, pois há canibalismo registrado. Como é um peixe topo de cadeia alimentar, a piranha é predadora por natureza. A predação por outros peixes, no entanto, ocorre mais na fase em que é juvenil, de menor porte.

Fontes: Maurício Souza (Ibama), Nelson Fontoura (PUCRS), João Sampaio (Emater) e Rodrigo Beheregaray (Sema), que desenvolveu mestrado em Aspectos da Biologia da Piranha

Palometa, também conhecida como piranha vermelha, causa prejuízos à pesca e ao ecossistema do Rio Jacuí
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