A Cultura pode ser definida como o conjunto de conhecimentos, crenças, costumes, valores e modos de vida de um grupo social ou da sociedade.

Dentre este conjunto de conhecimentos as artes representam aspecto peculiar, pois refletem a criatividade das pessoas, através da música, dança, literatura, pintura, escultura ou teatro.
As expressões artísticas definem identidade, promovem coesão social, transmitem valores e conhecimentos, estimulam a criatividade e a inovação, promovendo o desenvolvimento social e econômico.
É por esta razão que a cultura deve ser sempre valorizada por todos que coabitam determinada região, de forma a fortalecer os laços com seus conterrâneos.
Em várias partes do mundo a promoção da cultura se dá através do financiamento público, subsidiando os promotores culturais para que possam sustentar inicialmente sua arte, até terem fôlego para seguir com as próprias pernas.
No Brasil, a Lei Rouanet acabou desvirtuando essa lógica ao financiar grandes produções consolidadas.
Parte do Imposto de Renda de Pessoas Físicas e Jurídicas é direcionado para projetos culturais de renome que muitas das vezes atinge público restrito, não alcançando a população que mais carece deste acesso.
É a forma de financiar a alta cultura dos grandes centros em detrimento à cultura popular periférica.
Uma forma de financiamento direcionada mais localmente é a Lei Paulo Gustavo, com recursos repassados aos municípios, a quem cabe a distribuição através de editais.
Cachoeira do Sul teve no ano passado projetos desenvolvidos com estes recursos públicos, dentre os quais foram contemplados oito produções audiovisuais:
“Todos os bebês nascem pelados em Cachoeira do Sul”, de Maria Eduarda Silva Rodrigues com R$ 52 mil;
“Marina”, de Vanius Rocha, com R$ 47 mil;
“Eu vi um lobisomem”, da Inspira Produtora, com R$ 47 mil;
“Quicumbi em Cachoeira do Sul – Retomando fazeres ancestrais”, da Saia Rodada, com R$ 42 mil;
“Cachoeira do Sul na pluralidade de sua vocação cultural”, da AMICUS, com R$ 37 mil;
“A névoa se aproxima”, de Gabriel Silva Teixeira, com R$ 15 mil;
“Música autoral do gênero sertanejo”, de Deividi Machado de Melo, com R$ 15 mil; e
“A cara da fome”, de Carlos Eduardo Nunes, com R$ 10 mil.
Além destes, foram repassados R$ 80 mil para o Cine Via Sete melhorar as condições estruturais e de atendimento aos frequentadores do cinema.
Outros contemplados foram Mateus Borchhardt Pereira, no valor de R$ 15 mil para o “Teatroférico Conta os causos de Pedro Xirú”, Adão Carlos Alves Correa, R$ 12 mil para a construção de uma Casa de Santo para atividades culturais e religiosas no Quilombo Cambará, e a atual vereadora do PT Mariana Silva Carlos, R$ 9,6 para o livro eletrônico “A cura através dos tempos”.
Podem parecer valores desproporcionais para os projetos, mas refletem a demanda artística dos produtores culturais locais, que representam em maior ou menor grau os interesses da comunidade.
Ao fim ao cabo são aqueles que os cachoeirenses vão ter que aplaudir.