Onironautas

Por 11 de janeiro de 2022

Você acorda. Toma seu café. Vai trabalhar. Volta. Dorme. Você acorda. Em linhas gerais, a descrição da roda do cotidiano poderia ser algo assim. Por toda a vida. No percurso, você tem seu primeiro beijo, casa, tem filhos, tenta aproveitar a aposentadoria e morre. Quase um programa de computador que determina cada movimento da nossa vida. Quase?

Seus sonhos ocorrem diariamente. Você pode até não lembrar. Quando lembra, pode até não ser o sonho todo. Algumas pessoas são chamadas de onironautas. São aquelas que controlam o próprio sonho. A sensação de liberdade é incrível. Como se fosse mais confortável viver no sonho. Isso remete ao pensamento: se a vida “real” é desconfortável em alguma dose, bem que poderia não ser de verdade. Está aí um caminho interessante: o sonho é a vida “real” e a vida como entendemos é um sonho. Vivemos em uma simulação criada pela mente. A vida de verdade está do outro lado. Vamos além: você já teve a impressão de ouvir alguém chamando seu nome, mas quando olha, não vê quem chamou? Pode ter sido uma pessoa ao lado de sua cama no hospital querendo que você… acorde.

Já sonhou que está caindo? Sabe o motivo de acordar quando chega ao chão e vai morrer? É que sua mente não consegue processar o que vem depois da morte. Aí você acorda. Simulações da vida?

Ufa. Fecha os olhos. Relaxa. E acorda. Ou volta para dormir.