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quinta-feira, 24 setembro, 2020 - 19:32
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ONG DE CACHOEIRA DO SUL DENUNCIA VENDA DE CAVALOS PARA VIRAREM SALAME

Crédito: Reprodução / ONG S.O.S. Animais

A Organização Não Governamental S.O.S Animais divulgou uma denúncia contra a Prefeitura de Cachoeira do Sul referente ao que seriam maus-tratos praticados contra cavalos apreendidos. “É com muita indignação e tristeza, que anunciamos que hoje estamos enfrentando um dos maiores casos de maus-tratos já vistos em Cachoeira do Sul”, destaca a ONG em nota.

A denúncia trata dez cavalos recolhidos pela Prefeitura a contar de fevereiro de 2020 e levados ao Centro Municipal de Proteção Animal de Cachoeira do Sul (Cempra, em Três Vendas) ao longo deste ano. Entre eles, um cavalo machucado desde a sua apreensão, segundo a S.O.S. Animais. “Como todos sabem, somos uma ONG sem fins lucrativos, e batalhamos diariamente para obter recursos e lugar para acolher animais desabrigados ou em situação de maus tratos. Nos desdobramos ao máximo para auxiliar o Cempra, e os animais em posse dos mesmos. E com os cavalos não foi diferente”, enfatiza a organização.

Conforme explica, a Prefeitura entrou em contato com a ONG para viabilizar a adoção dos dez animais. “Nos pouquíssimos metros quadrados que a S.O.S. Animais possui de espaço, tirar estes animais das mãos da Prefeitura não era uma tarefa fácil, mas isto não nos impediu de achar opções”, acentua a nota divulgada pela entidade. “Achamos um lar para os cavalos mais necessitados, e a Secretaria do Meio Ambiente informou que não seria possível adotarmos somente um. Ou se adotava o ‘lote’, ou nenhum, como se animais não fossem indivíduos. Mesmo assim, não arredamos o pé. Estávamos em busca de um terreno maior, e de exames para providenciar o transporte dos mesmos. E isto não é trabalho de um dia, mas sim de meses”, completa a ONG.

No dia 30 de julho segundo a organização descreve, foi recebido um ofício da Prefeitura para  ONG demonstrar interesse ou não em todos os cavalos do Cempra. “Por termos recebido da Prefeitura quatro cavalos nas semanas anteriores, não tínhamos, naquele momento, espaço. Por isso, negamos momentaneamente o recebimento dos animais, enquanto trabalhávamos para ter o espaço para recebê-los”, justifica o comunicado da S.O.S. Animais.

Na terça-feira (18) desta semana, a entidade promovem uma visita ao Cempra com objetivo, segundo informa, de levar ração aos cavalos. “Para nossa surpresa, estavam carregando os animais. Ao indagarmos o caminhoneiro, o mesmo disse que havia comprado os animais do Sindicato, e que estariam sendo encaminhados para SALAME”, destaca a denúncia da ONG. “Estávamos indignadas. Corremos à Secretaria do Meio Ambiente para pedir explicações, e a resposta era uma: que havíamos aberto (em tese) mão dos animais. Como se a responsabilidade de manter animais vivos, fosse das ONGs, e não do próprio Cempra que os recolheu!!”, acrescenta a nota.

A ONG questiona, no decorrer da nota, o que ocorre com os animais que não puderem ser recebidos. “Todos os cavalos que as ONGs não puderem receber virarão salame?? E o bem-estar animal? Para que serve retirar animais das ruas e dos maus-tratos? Para que vejam o fim da vida deles nas mãos da Prefeitura? É para isto que pagamos impostos??? Para financiar esse tipo de crueldade?”, pergunta em tom de indignação.

Conforme a denúncia da ONG S.O.S. Animais, o Cempra fez a doação dos animais ao Sindicato Rural, “apesar do mesmo não ser uma entidade sem fins lucrativos”, o que desrespeitaria o disposto no artigo 41 e 42 da Lei Municipal 4345/2014. “O Sindicato, após ‘receber’ no papel os animais, os vende imediatamente para pessoa física, no valor de R$ 150 cada um. E a pessoa? Imediatamente revende os animais ao frigorífico”, aponta a nota da ONG. “Como dizer que o Cempra não sabia que este seria o destino final de todos animais, quando os mesmos foram transportados sem as devidas vacinas de moro e anemia infecciosa? A resposta é uma: eles sabiam que os animais iriam para o frigorífico. Afinal, esta é a única exceção legal, para que equinos sejam transportados sem os devidos exames”, acrescenta.

O secretário municipal do Meio Ambiente, Alexsander Radiske, garante que o procedimento foi legal. “Está tudo esclarecido e feito dentro da Lei do Cempra”, indica o responsável pela pasta.

Já o presidente do Sindicato Rural, Fernando Cantarelli, alega que a o destino do valor obtido com a venda dos animais foi a Brigada Militar. “Para manutenção das viaturas da Patrulha Comunitária do Interior. Recebemos a solicitação para receber em doação da Prefeitura uns animais para posterior venda com o recurso a ser revertido para a Brigada Militar”, detalha. De acordo com Cantarelli, o procedimento foi seguido com base em documento atestando que as ONGs de Cachoeira do Sul não tinham interesse pelos animais. “Os animais foram vendidos. A partir daí, o comprador (um criador) tem a liberdade de fazer o que quiser com os animais”, complementa o presidente do sindicato, salientando ainda desconhecer o que foi feito com os cavalos. “Estranho é a ONG ter se recusado por escrito a receber os animais e agora fazer toda essa conversa”, finaliza.

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