Onde vai parar o preço do diesel?

Cachoeira do Sul, · --°C

A escalada do conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã causa reflexos diretos no bolso de motoristas, transportadores e produtores rurais. Em Cachoeira do Sul, o impacto está escancarado nas bombas: o litro do diesel comum, que vinha sendo vendido por cerca de R$ 5,89, saltou nos últimos dias para uma faixa média entre R$ 6,42 e R$ 6,52. Já o diesel S-10 disparou para R$ 6,82.

A alta ocorre em meio à valorização do petróleo no mercado internacional e ao clima de incerteza provocado pelas tensões na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Qualquer risco de interrupção nesse corredor estratégico tende a provocar reações imediatas nas cotações globais do combustível.

Além da pressão externa, o comportamento do mercado também tem contribuído para acelerar a alta. Em Cachoeira do Sul e em outras regiões do país, a possibilidade de novos reajustes estimulou uma corrida por diesel nos últimos dias. Transportadores, empresas e produtores rurais passaram a reforçar estoques, movimento que aumentou a demanda e pressionou ainda mais os preços.

Esse chamado “efeito manada” chegou a provocar dificuldades pontuais de abastecimento em alguns postos da cidade, especialmente no diesel comum, utilizado por veículos de carga mais antigos e por parte do maquinário agrícola que atualmente atua na colheita de culturas de verão, como o arroz.

A pressão sobre o diesel preocupa especialmente setores ligados à logística e à produção rural. Diferentemente da gasolina, o combustível é considerado estratégico para o funcionamento da economia, já que abastece caminhões responsáveis pelo transporte de mercadorias e máquinas agrícolas que operam no campo. Como a crise coincide com o período de colheita de grãos no Rio Grande do Sul, o setor teme por um atraso no encerramento da safra 2025/2026, o que pode ser desastroso para os números finais de produção e produtividade.

Especialistas do setor de energia apontam que o comportamento do preço nos próximos dias dependerá principalmente do cenário internacional. Caso o conflito no Oriente Médio se intensifique ou provoque restrições logísticas no transporte de petróleo, a tendência é de manutenção da volatilidade nas cotações.

Por outro lado, se houver redução das tensões ou normalização das rotas comerciais, o mercado pode encontrar algum equilíbrio. Até lá, o diesel segue como o combustível mais sensível às oscilações globais — e um dos principais termômetros do impacto da crise internacional na economia local.

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