Obras na RSC-287 revelam fóssil de réptil que viveu há 250 milhões de anos em Candelária

Publicado por
Milos Silveira

As obras de duplicação da RSC-287, em Candelária, resultaram na descoberta de um fóssil de rincossauro — réptil herbívoro que habitou a Terra há cerca de 250 milhões de anos, no período Triássico, início da era Mesozoica. O material foi identificado na semana passada durante intervenções realizadas pela Rota de Santa Maria, concessionária responsável pelo trecho e integrante do Grupo Sacyr. O achado ocorreu em uma área próxima à Vila Botucaraí.

Segundo o Museu Municipal de Candelária, o rincossauro é considerado um fóssil-guia do Triássico, sendo encontrado em diversas regiões do mundo. No município já foram registradas duas espécies: a Hyperodapedon sp., que podia atingir até dois metros de comprimento na fase adulta, e a Teyumbaita sulcognathus, com até três metros e peso estimado em 100 quilos.

Rincossauro viveu na Terra antes do surgimento dos dinossauros / Arte: Mark Witton/The New York Times

Monitoramento ambiental

A concessionária informou que a descoberta ocorreu durante escavações acompanhadas por equipe técnica, dentro do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico — exigência prevista no processo de licenciamento ambiental. A iniciativa conta com aprovação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), e as coletas seguem autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM).

De acordo com a empresa, há profissionais capacitados para atuar em casos de achados paleontológicos, garantindo identificação, registro e destinação conforme protocolos científicos e a legislação vigente.

Trecho integra território fossilífero

O ponto onde o fóssil foi encontrado integra a área do Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo, criado em julho de 2023. O território abrange os municípios de Candelária, Vale do Sol, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Venâncio Aires, Passo do Sobrado e Vale Verde, região reconhecida pela presença de afloramentos geológicos com registros frequentes de fósseis do período Triássico.

A Sacyr mantém paleontólogos contratados para acompanhar as intervenções na rodovia, uma vez que, além da preservação da flora e da fauna, cabe à concessionária adotar medidas de proteção ao patrimônio fossilífero existente na área das obras.

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Milos Silveira

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