O que esperar dos Contratos de Opção de Venda de Arroz anunciados pela Conab

Publicado por
Milos Silveira

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou uma nova rodada de Contratos de Opção de Venda (COV) para a aquisição de até 110 mil toneladas de arroz da safra 2024/25, voltada a produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A medida visa garantir uma remuneração mínima aos agricultores diante da queda nos preços de mercado e, ao mesmo tempo, recompor os estoques públicos de alimentos — algo que o governo federal não fazia há mais de uma década.

O anúncio foi feito pelo presidente da Conab, Edegar Pretto. O investimento previsto é de R$ 150 milhões. Para Pretto, a iniciativa reforça o papel estratégico da Conab na segurança alimentar do país. “Estamos voltando a formar estoques públicos de arroz depois de 11 anos. É uma decisão estratégica, que garante preços mais justos ao produtor e também ao consumidor nas prateleiras dos supermercados”, declarou. (CONTINUA ABAIXO DA PUBLICIDADE)

Preços acima do mínimo

Os contratos garantirão ao produtor valores cerca de 15% acima do preço mínimo nacional, hoje fixado em R$ 63,64 por saca no RS. A Conab irá adquirir o arroz pelos seguintes preços por saca: R$ 73 em agosto, R$ 73,48 em setembro e R$ 73,95 em outubro. Segundo Pretto, o valor oferecido está “bem acima da média de mercado atual”, o que representa um apoio real ao setor produtivo.

Como funcionam os COV

O Contrato de Opção de Venda é um instrumento de política agrícola que permite ao produtor (ou cooperativa) garantir a venda de sua produção ao governo federal, por um preço previamente acordado, em uma data futura. Caso o preço de mercado esteja abaixo do valor fixado, o agricultor pode exercer seu direito de venda, reduzindo os riscos financeiros.

A adesão a esta rodada extra dependerá da publicação de uma portaria interministerial, prevista para a próxima semana, e da realização de um leilão público. O arroz adquirido poderá ser armazenado em estruturas da própria Conab ou em armazéns privados próximos às regiões produtoras.

Histórico recente

Apesar do expressivo volume anunciado no ano passado — R$ 1 bilhão para a compra de até 500 mil toneladas de arroz por meio dos COV — a adesão no Rio Grande do Sul foi considerada baixa. Apenas 91 mil toneladas foram negociadas, o que acendeu o alerta para um maior diálogo com o setor produtivo. Agora, com preços mais atrativos e articulação direta com representantes da cadeia produtiva, o governo espera uma participação mais expressiva dos arrozeiros.

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Milos Silveira

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