Ela é charmosa, versátil, cresce bem em vasos e ainda é considerada planta da sorte. A pilea, também chamada de planta-da-amizade ou pilea peperomioides, conquistou jardineiros iniciantes e colecionadores. Mas quando chega a hora de multiplicá-la, muitos erram logo de cara. Fazer mudas de pilea parece simples, mas um deslize no primeiro passo é o suficiente para comprometer todo o processo.
O mais frustrante é que, mesmo com cuidados posteriores, se a muda for retirada ou manipulada da forma errada, ela simplesmente não enraíza. E aí vem o desperdício, a frustração e a dúvida: “por que a minha não pegou?”. A resposta, na maioria das vezes, está bem no início: o ponto de corte, o tipo de broto escolhido e a forma como ele é retirado.

Pilea não tolera cortes malfeitos: o primeiro passo é o mais importante
A pilea se multiplica por brotações laterais, que surgem na base da planta-mãe. Essas pequenas mudas crescem em torno da planta principal e são as mais indicadas para propagação. O erro comum é destacá-las com as mãos ou cortar com instrumento inadequado, o que danifica a estrutura do broto e impede a formação de raízes.
O método mais seguro envolve três etapas essenciais:
- Usar uma tesoura de poda esterilizada.
- Cortar o broto rente à base, preservando a “bolinha” que liga a muda à raiz principal.
- Não rasgar ou puxar com força — isso compromete os tecidos de regeneração.
Feito isso, o broto precisa passar por um período de cicatrização, especialmente se for plantado direto na terra. Deixe-o descansar em local seco e arejado por cerca de 12 horas antes de plantar. Isso evita que a umidade do solo entre diretamente no corte fresco e cause apodrecimento.
Água ou terra? O melhor meio para enraizar sua pilea
Após a retirada correta da muda, surge a dúvida: colocar na água ou já plantar na terra? A resposta depende do seu nível de paciência — e de cuidado. A técnica mais segura para iniciantes é deixar a muda enraizar na água.
Coloque o broto em um copo com água filtrada, com o caule submerso e as folhas fora do líquido. Mantenha em local iluminado, mas sem sol direto, e troque a água a cada dois dias. Em cerca de duas semanas, pequenas raízes começam a surgir. Quando atingirem 2 cm, já é possível transferir para o substrato definitivo.
O plantio direto na terra também é eficaz, mas exige mais atenção. O solo precisa estar levemente úmido, nunca encharcado. E o vaso deve ficar em local arejado, com luz difusa. Como não há raiz visível para acompanhar, o risco de apodrecimento é maior se houver excesso de água.
Substrato ideal e cuidados após o plantio da pilea
Independentemente da técnica usada para enraizar, a pilea exige um substrato leve, poroso e rico em matéria orgânica. Uma mistura ideal inclui:
- 50% terra vegetal
- 30% perlita ou areia grossa
- 20% húmus de minhoca
Evite substratos compactados ou com retenção excessiva de água. Isso favorece fungos e dificulta a oxigenação das raízes em formação. Depois de plantar, mantenha a umidade sob controle com borrifadas leves, sem encharcar. É normal que a muda demore alguns dias para reagir.
Outro ponto importante é a adaptação à luminosidade. Nos primeiros dias, a muda deve ficar à sombra ou sob luz indireta. Depois que mostrar sinais de crescimento (novas folhinhas ou alongamento do caule), pode ser levada para locais mais claros. Sol direto pode queimar a muda recém-formada.
Evite esses erros que fazem a pilea definhar logo após a muda
Mesmo quando o enraizamento ocorre corretamente, algumas práticas colocam tudo a perder. Veja os erros mais comuns:
- Vasos sem drenagem: o acúmulo de água apodrece a muda silenciosamente.
- Sol direto no início: a muda ainda não tem força para suportar a radiação solar.
- Folhas encostando na água: causa apodrecimento precoce.
- Esquecer a muda na água por muito tempo: raízes frágeis demais dificultam adaptação à terra.
- Poda em épocas muito frias: pilea responde melhor à multiplicação na primavera e verão.
Com pequenos cuidados, a pilea se torna uma planta incrivelmente generosa. Cada broto vira uma nova planta, perfeita para presentear ou espalhar pela casa. Saber como fazer mudas corretamente é mais do que uma técnica: é a chave para manter esse ciclo vivo e saudável.
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