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Cachoeira do Sul
quarta-feira, 16 junho, 2021 - 12:02
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O calçadão da Rua 7 de Setembro

Local onde seria o calçadão da 7 de Setembro é hoje um estacionamento oblíquo / Foto: Arquivo/OC

Quando Cachoeira do Sul vai mudar? Esta pergunta seguidamente é feita por cachoeirenses que parecem não acreditar na sua cidade. Mas este posicionamento tem origem em tudo que é propalado por governos municipais ao longo tempo e na prática pouco ou nada acontece. São ideias ou projetos que ficam na teoria num claro exemplo da falta de planejamento o que tem gerado o chamado pessimismo de muitos.

Na década de 80, por exemplo, um governo municipal queria implantar na Rua 7 de Setembro – quadra entre a Milan Krás e Andrade Neves – um calçadão. A ideia era tornar esta área atrativa gerando circulação de pessoas com pontos de lazer para uma conversa, um chimarrão, mais bancos, lixeiras e iluminação. Um pré-projeto chegou a ser elaborado.

Enfim, a cidade teria calçadão. Afinal outras cidades do mesmo porte ou menor que Cachoeira já tinha seu calçadão e nós não. No entanto, tudo ficou na intenção. O calçadão não saiu do papel.

O governo seguinte curiosamente, porque era da oposição, foi mais além. Logo no início da gestão, abraçou a ideia do calçadão. Uma placa no cruzamento das ruas 7 de Setembro e Andrada Neves foi instalada no local  para anunciar o projeto destacando a iniciativa da nova administração. Com honras à ideia até um ato público foi realizado na chamada esquina democrática.

Em seguida foi fechado um lado da Rua 7  – da frente do antigo Bar América – e até tubos de concreto com folhagens foram colocados no local. Ok, Tínhamos calçadão, porque as pessoas poderiam caminhar livremente naquela área sem se preocupar com o trânsito. Vejam só. Este era o calçadão daquele governo.

Os dias foram passando, o governo caiu na rotina e o calçadão – pasmem – foi esquecido. Tudo que foi projetado foi deixado de lado. A placa da obra foi retirada, os tubos de concreto também e o trânsito foi liberado na área interditada. Os “grandes pensadores” da época não projetaram como ficaria a rede hidráulica, a elétrica, a questão das calçadas e se esta era realmente uma obra prioritária enquanto a periferia (os bairros) enfrentava um caos pela falta de saneamento e outras melhorias para a qualidade de vida das famílias.

Então o calçadão ficou no passado. Levanto esta questão para enfatizar que a cada quatro anos são anunciadas obras e mais obras e poucas na prática se concretizam. A Rua 7 de Setembro – em frente à Praça José Bonifácio – continua a mesma e o tal de calçadão já era.

Quase 30 anos depois, a ideia que se tem é que continuamos sem um projeto amplo voltado para o crescimento da cidade, seja no centro ou na periferia. Esta é uma realidade que aflige a todos e, por isso, a angústia por uma Cachoeira moderna, ágil e dinâmica proporcionando cada vez mais emprego e renda.

Alguém pode dizer que o quadro não é tanto negativo assim. Somos um município sede com as regionais de educação, Polícia, obras e somos referência nos ensinos fundamental, médio e, principalmente, superior com o advento do campus da UFSM. Temos um agronegócio forte. Tudo bem. Mas o quero dizer é que cabe ao poder público, às entidades empresariais e a todos os cidadãos pensar, ou melhor, planejar a cidade. Trouxe o exemplo do calçadão de 30 anos atrás para mostrar que nada pode ser feito de forma aleatória. Tudo necessita ser estudado, pesquisado e debatido para pensarmos numa Cachoeira daqui a 30 anos com ou sem calçadão.

Por isso, aposto no governo que está desde 1º de janeiro no Paço Municipal. O prefeito José Otávio Germano sabe o que Cachoeira precisa por sua longa experiência na área política e administrativa. Tem o aval dos cachoeirenses e, o mais importante, está disposto a transformar a cidade. A tarefa não é fácil pela precariedade de recursos para investimentos, mas é preciso acreditar que ele tem todas as condições de planejar uma Cachoeira progressista.

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