Colaborou o jornalista Ronaldo Tonet – Rádio Vale FM 99.1
A taxação de 50% sobre produtos brasileiros que ingressarem nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump e que teve o vigor prorrogado para a próxima quarta-feira (6) – e não mais nesta sexta (1º) – não deverá ter impactos significativos, ao menos neste primeiro momento, na economia de Cachoeira do Sul. Apesar da preocupação generalizada no setor exportador nacional, os reflexos em Cachoeira do Sul tendem a ser limitados, conforme dados de comércio exterior do município e posicionamentos de empresários da região.

De janeiro a junho de 2025, as empresas de Cachoeira do Sul exportaram um total de US$ 55,1 milhões. Desse montante, apenas US$ 713,9 mil (1,3%) tiveram como destino os Estados Unidos, o que posiciona o país na 13ª colocação entre os 35 destinos internacionais que adquiriram produtos “made in Cachoeira”. (CONTINUA ABAIXO DA PUBLICIDADE)
O principal cliente internacional de Cachoeira do Sul no semestre foi a França, que importou US$ 20,8 milhões, especialmente da multinacional Cargill, que enviou 60 mil toneladas de resíduos sólidos da extração de óleo de soja para o mercado francês. No total, os subprodutos da soja foram responsáveis por US$ 43,2 milhões das exportações locais — o equivalente a 78,5% do total movimentado no período.
Outro destaque foi o setor madeireiro. A Todesmade exportou US$ 6,4 milhões em tábuas e pellets, com foco principalmente em mercados da Itália e da China.
Grupo AgroScrew confirma contratos com os EUA, mas está preparada para a atual conjuntura mundial
Um dos principais exportadores da cidade, o Grupo AgroScrew, que fornece peças de colheitadeiras para as multinacionais John Deere e New Holland, informou que, por ora, seus negócios com os Estados Unidos estão garantidos. Segundo o CEO Moacir Marzari, os contratos em vigor preveem que os clientes americanos absorvam os custos adicionais gerados pelas novas tarifas ao longo de 2025.
“As atividades da empresa seguem normalmente. Até o momento, não tivemos prejuízos, mas caso esta tarifa de 50% continue em vigor até o final do ano, iremos nos reunir para tentar encontrar alguma solução em busca de competitividade com nossos concorrentes”, afirmou o executivo. O Grupo AgroScrew emprega atualmente 700 trabalhadores em suas linhas de produção.
Marzari também destacou que apenas 16% do total exportado pela Screw, uma das empresas do grupo, tem como destino os Estados Unidos. O restante é enviado principalmente para Alemanha e Bélgica. Já a Agropertences direciona 100% de suas exportações para a Europa, especialmente à Polônia, e, portanto, está totalmente fora do alcance das novas taxações americanas.

Cautela e observação do mercado
Apesar do cenário momentaneamente tranquilo, o empresariado de Cachoeira do Sul mantém o alerta ligado. Caso as tarifas perdurem e avancem para outros setores, será necessário reavaliar contratos, logística e estratégias de mercado, principalmente entre empresas que mantêm algum tipo de relação com os Estados Unidos.
Ranking completo dos destinos das exportações de Cachoeira do Sul no 1º semestre de 2025
(Por valor FOB – Free On Board / Livre a Bordo)
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França – US$ 20.796.121
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Tailândia – US$ 6.341.790
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Indonésia – US$ 6.112.100
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Vietnã – US$ 5.842.810
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Itália – US$ 3.533.000
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Coreia do Sul – US$ 2.533.109
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China – US$ 2.128.330
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Peru – US$ 1.065.101
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Iraque – US$ 975.165
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Argentina – US$ 948.089
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Arábia Saudita – US$ 944.353
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Alemanha – US$ 862.381
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Estados Unidos – US$ 713.868
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Emirados Árabes Unidos – US$ 401.584
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Malásia – US$ 222.836
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Dinamarca – US$ 207.102
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Bélgica – US$ 174.701
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Costa do Marfim – US$ 146.190
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Polônia – US$ 129.997
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Austrália – US$ 121.368
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Nigéria – US$ 117.480
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Argélia – US$ 112.200
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Uruguai – US$ 110.962
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México – US$ 89.582
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Gana – US$ 77.000
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República Tcheca – US$ 68.603
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Congo – US$ 63.360
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Camarões – US$ 60.940
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Senegal – US$ 56.100
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Cuba – US$ 34.350
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Togo – US$ 31.680
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Paquistão – US$ 29.711
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Suíça – US$ 22.071
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Paraguai – US$ 18.858
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África do Sul – US$ 11.220
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Áustria – US$ 170

Sob discurso de que Brasil é ameaça aos EUA, Trump assinou tarifaço de 50% nesta quarta-feira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que oficializa a imposição de tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. A medida, que entra em vigor nos próximos dias, exclui da taxação 694 produtos, entre eles suco de laranja, aviões, castanhas, minério de ferro, petróleo, carvão, óleos vegetais, madeira e celulose.
Itens como aço e alumínio, por sua vez, não foram incluídos na nova lista, pois já vinham sendo taxados em 50% independentemente do país de origem. Por outro lado, café, cacau, carnes e frutas brasileiras deverão ser diretamente impactados pela medida.
Em nota oficial, a Casa Branca afirmou que “o presidente Donald J. Trump assinou uma Ordem Executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil, elevando a tarifa total para 50%, como resposta a políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que representam uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
A comunicação do governo americano reforça o posicionamento de Trump de “defender a segurança nacional contra ameaças estrangeiras” e justifica a decisão também como forma de proteger empresas dos EUA contra censura coercitiva ilegal e de responsabilizar supostos violadores de direitos humanos.
Citações a Bolsonaro e sanção a Moraes
O texto também faz menção direta à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de tentativa de golpe de Estado. A Casa Branca critica o que chama de “intimidação, assédio e censura” contra o ex-mandatário brasileiro, classificando a postura do governo do Brasil como uma ameaça às liberdades democráticas.
Horas antes do anúncio da nova tarifa, os Estados Unidos aplicaram outra medida polêmica: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, um instrumento criado em 2012 durante a presidência de Barack Obama, que permite punições a indivíduos acusados de graves violações de direitos humanos.
Essa é a primeira vez que a legislação é usada contra um ministro de Suprema Corte em qualquer país do mundo. Até agora, os alvos da Lei Magnitsky costumavam ser autoridades de regimes autoritários, membros de organizações terroristas, agentes de segurança acusados de execuções extrajudiciais ou envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.