Morre o cantor Pedro Ortaça, último dos Troncos Missioneiros, aos 83 anos

Cachoeira do Sul, · --°C

A música regional do Rio Grande do Sul perdeu, nesta sexta-feira (29), uma de suas vozes mais marcantes. Morreu, aos 83 anos, o cantor e compositor Pedro Ortaça, referência histórica do tradicionalismo gaúcho, considerado o último dos Troncos Missioneiros, referência dada a artistas que ajudaram a construir e manter a identidade cultural da região das Missões.

O artista estava internado em um hospital de Ijuí, no Noroeste do Estado, onde tratava complicações de saúde. A morte foi confirmada pela filha, Marianita Ortaça. Segundo a família, o músico sofreu paradas cardiorrespiratórias durante a madrugada após enfrentar complicações decorrentes de uma cirurgia de amputação.

Nos últimos anos, Ortaça convivia com problemas de saúde e precisou passar por diversas internações. Ele também realizava tratamento de diálise desde que se mudou com a família para Ijuí, em março de 2025. Em janeiro deste ano, chegou a ser hospitalizado devido a um edema pulmonar.

Pedro Ortaça deixa a esposa, Rose, os filhos Gabriel, Marianita e Alberto, além de netos. O velório ocorrerá em Ijuí. Também está prevista uma despedida em São Luiz Gonzaga, cidade missioneira onde nasceu.

Reconhecido pelo timbre grave e pela forte ligação com a cultura gaúcha, Ortaça construiu uma trajetória marcada pela valorização das Missões e das raízes do interior do Estado. Entre suas composições mais conhecidas estão “Timbre de Galo”, “Bailanta do Tibúrcio” e “Queixo Duro”.

Ele era o último integrante vivo dos chamados Troncos Missioneiros, grupo formado ainda por Noel Guarany, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun. O quarteto ajudou a transformar a música regionalista ao incorporar temas sociais, históricos e culturais em suas letras, consolidando uma identidade própria para a canção missioneira.

A denominação surgiu a partir de um disco lançado em 1988, mas a amizade e a parceria entre os quatro artistas já vinha de décadas anteriores.

Natural do distrito de Pontão de Santa Maria, em São Luiz Gonzaga, Pedro Ortaça nasceu em 29 de junho de 1942. Filho e neto de músicos, cresceu cercado por instrumentos e pelas rodas de baile no interior missioneiro. Ainda criança, acompanhava festas e bailantas que mais tarde serviriam de inspiração para parte de sua obra.

Antes de viver da música, trabalhou em lavouras e granjas de arroz na região de São Borja. Foi nos galpões e encontros do interior que começou a cantar e desenvolver o estilo que o tornaria conhecido em todo o Rio Grande do Sul.

Além da carreira musical, apresentou programas de rádio e recebeu importantes homenagens ao longo da vida. Entre elas, o Prêmio Vitor Mateus Teixeira, a Medalha do Mérito Farroupilha e o reconhecimento como Mestre das Culturas Populares Brasileiras pelo Ministério da Cultura.

Nos últimos anos, mesmo com limitações de saúde, seguia compondo ao lado dos filhos e participando de projetos musicais. Em agosto do ano passado, lançou “Pena Guarany”, considerada sua última canção inédita.

Em 2024, foi escolhido patrono dos Festejos Farroupilhas. Já em abril deste ano, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em reconhecimento à contribuição cultural deixada para o Estado e para a música brasileira.

Rolar para cima