Morbius 2022: quatro anos depois do lançamento, como o filme de Jared Leto está sendo reavaliado

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Morbius 2022 teve uma das trajetórias de recepção mais incomuns do cinema recente. Lançado com críticas devastadoras e desempenho comercial abaixo das expectativas, o filme de Daniel Espinosa com Jared Leto viralizou nas redes sociais por razões irônicas, foi relançado nos cinemas por decisão da Sony apostando nesse interesse, fracassou novamente e terminou tornando-se um objeto cultural que vale mais como fenômeno do que como produto cinematográfico. Quatro anos depois, o streaming gratuito oferece a oportunidade de reavaliá-lo sem a carga de expectativas que envolveu o lançamento.

O que a recepção de 2022 acertou

A crítica especializada identificou corretamente os problemas estruturais do filme. O terceiro ato é apressado de uma forma que sugere cortes de edição significativos, onde personagens tomam decisões que não têm setup adequado, a motivação do vilão principal é introduzida tarde demais para ter peso dramático, e a resolução do conflito central acontece em velocidade que não corresponde ao que o filme passou uma hora e quarenta minutos construindo.

A trilha sonora de Jon Ekstrand funciona melhor em determinados momentos do que em outros, e a escolha de usar CGI fluido para as sequências de velocidade de Morbius tem um look de videogame que não envelheceu bem nos três anos desde o lançamento.

O que a recepção de 2022 exagerou

A nota de 15% no Rotten Tomatoes é o produto de um contexto de recepção onde o filme foi consumido e avaliado no pior momento possível, depois de meses de marketing mal feito, com expectativas de blockbuster da Marvel que o filme nunca foi prometido como cumprir e numa posição de alvo fácil para críticos que já haviam decidido que o Sony Spider-Man Universe era uma proposta inferior ao MCU.

Visto sem esse contexto, Morbius é um filme com problemas reais e com alguns elementos genuinamente interessantes. Jared Leto faz uma performance séria e comprometida. Matt Smith encontra um registro de vilão mais divertido do que o roteiro merecia. Adria Arjona entrega uma presença convincente num papel subdesenvolvido.

O que Morbius representa para o futuro do personagem

O fracasso comercial e crítico de Morbius colocou em questão o futuro cinematográfico do personagem, mas não necessariamente encerrou essa possibilidade. Personagens que falham numa primeira adaptação podem ter trajetórias diferentes em novas versões, como demonstrou a história do Hulk, que teve duas adaptações insatisfatórias antes de encontrar a versão que funcionou integrada ao MCU.

Para o espectador que está chegando ao filme agora pelo streaming gratuito, a melhor postura é a curiosidade descompromissada. O meme já foi, o contexto de lançamento já passou. O que resta é um filme de origem imperfeito sobre um personagem interessante que ainda não encontrou a versão cinematográfica que o material merece.

O que o fracasso de Morbius ensinou sobre expectativas de público

O ciclo completo de Morbius, de lançamento a fracasso a viralização irônica a relançamento a fracasso renovado, é um caso de estudo sobre como a internet mudou a relação entre qualidade crítica, engajamento público e performance comercial. O interesse irônico que o filme gerou foi real e mensurável nas redes sociais, mas não se converteu em ingressos vendidos porque o público que participava da piada não tinha interesse em pagar para ver o objeto da piada, apenas em comentar sobre ele.

O fenômeno do irônico no consumo de entretenimento

A relação irónica que desenvolveu entre a audiência de internet e Morbius é um caso específico de um fenômeno mais amplo: a cultura contemporânea de consumo de mídia desenvolveu uma relação específica com produtos que “falham com estilo”, onde o interesse irônico é genuíno mesmo que seja diferente do interesse que o produto originalmente pretendia gerar.

Filmes como Sharknado, The Room e Birdemic desenvolveram bases de fãs reais não apesar de serem considerados ruins, mas por causa disso. Morbius nunca alcançou essa status cult com a mesma intensidade, mas o fenômeno do “It’s Morbin Time” demonstra que o caminho existe. A diferença entre um “tão ruim que é bom” e um “simplesmente ruim” frequentemente é a presença de elementos suficientemente específicos e memoráveis para alimentar a cultura de memes.

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