Getúlio Vargas inaugurou no Brasil o assistencialismo de Estado, substituindo gradativamente a caridade feita através das redes religiosas pela estrutura pública que passou a utilizar dos recursos arrecadados para atender aos miseráveis.

A criação da Legião Brasileira de Assistência, com a sigla LBA, em agosto de 1942, oficializou a assistência social estatal.
Seu objetivo inicial era apoiar as famílias dos soldados da Força Expedicionária Brasileira que combatiam na Europa, mas com o fim da guerra expandiu suas ações para diferentes grupos sociais como crianças, mulheres, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Vargas cedo entendeu que para ser visto como o pai dos pobres era necessário direcionar recursos públicos para a camada mais pobre, angariando base de apoio eleitoral.
Como quase toda atividade estatal no Brasil, acabou sendo utilizada para desvio de recursos através da corrupção, como as compras fraudulentas de leite em pó por Rosane Collor em 1991.
A LBA foi extinta no primeiro dia do mandato de Fernando Henrique Cardoso, o mesmo que instituiu em 2001 os programas de transferência de renda do Bolsa-escola, Bolsa-alimentação e Auxílio-gás, fruto da Ação pela Cidadania do sociólogo Betinho, que envolvia somente a sociedade civil mas acabou incorporada pelo governo e passou se chamar Programa Comunidade Solidária.
No primeiro governo Lula em 2003, estes programas foram unificados como Fome-Zero e depois Bolsa-família, sempre utilizados eleitoralmente como base de apoio político da esquerda.
Ainda assim era um valor relativamente baixo, um subsídio complementar para as famílias terem o mínimo para sobreviver.
Renomeado para Auxílio-Brasil por Bolsonaro alcançou a R$ 600 mensais com a pandemia da COVID.
Embora justificável devido ao período conturbado, acabou como tentativa de aproximação do governo de direita ao populismo assistencial.
Não adiantou muito, pois Lula acabou eleito por pequena margem e não só manteve o valor no patamar da pandemia quanto acrescentou benefícios extras mensais para os filhos do beneficiário, retornando ao nome original.
Passada mais de duas décadas é de se questionar a validade deste programa de modo contínuo e sistemático para as mesmas famílias.
O benefício chega a 40% do salário-mínimo nacional, mas pode atingir facilmente o valor integral, considerando o número de dependentes por família.
Em muitos casos, os que recebem preferem trabalhar sem carteira assinada, somente com vínculos frágeis e esporádicos para não perder o benefício mensal.
Não se preocupam sequer com a contribuição previdenciária, pois contam com o Benefício de Prestação Continuada na velhice e se precisarem de assistência de saúde têm o SUS.
Essa fórmula de assistencialismo estatal esconde a acomodação de parte considerável da população mais vulnerável.
Trabalham passivamente na informalidade em atividades com baixa remuneração e sem perspectiva de melhorar seus ganhos.
O assistencialismo de Estado só gera assim dependência de longo prazo, em troca das migalhas aos mais pobres.