Liberação de R$ 56 milhões à Conab sinaliza reação nas negociações do arroz

Publicado por
Milos Silveira

A destinação de R$ 56 milhões à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), confirmada nesta quarta-feira (15), tende a alterar o ambiente de comercialização do arroz, especialmente no Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam pressão sobre os preços e dificuldades logísticas para escoar a safra. O recurso será direcionado a instrumentos de apoio ao mercado, considerados estratégicos em momentos de desequilíbrio entre oferta e demanda.

A definição ocorreu após reunião no Ministério da Agricultura e, conforme a Federarroz, abre caminho para a publicação de edital que permitirá a operacionalização dos programas de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). Ambos funcionam como mecanismos de subvenção econômica voltados a estimular a comercialização quando os valores praticados não cobrem adequadamente os custos de produção.

O anúncio ocorre em um contexto de margens comprimidas para o produtor e desafios no fluxo de vendas. Com elevada disponibilidade de produto e ritmo mais lento de compras, parte da safra permanece armazenada, pressionando a liquidez do setor. Nesse cenário, os programas tendem a atuar como indutores de mercado, garantindo competitividade ao arroz brasileiro em regiões deficitárias e compensando diferenças entre o preço mínimo e o valor efetivamente pago.

Segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a liberação do Termo de Execução Descentralizada representa um avanço esperado pelo setor. Ele avalia que a medida pode contribuir para reduzir a volatilidade dos preços e destravar negociações. Na prática, o PEP estimula compradores a direcionarem o produto para mercados consumidores com menor oferta, enquanto o Pepro complementa diretamente a renda do produtor quando o valor recebido fica abaixo do mínimo oficial.

Apesar da sinalização positiva, o movimento também reacende o debate sobre a dependência de políticas públicas para sustentação da rentabilidade. Representantes do setor defendem que instrumentos de equalização são fundamentais em momentos de excesso de oferta, evitando perdas mais acentuadas. Ao mesmo tempo, permanece o desafio estrutural de ampliar a previsibilidade da cadeia, reduzindo a exposição às oscilações de preços e ao aumento dos custos de produção.

A expectativa agora é de que o edital seja divulgado nos próximos dias, o que permitiria a utilização dos mecanismos ainda dentro da atual janela de comercialização. Caso confirmada, a medida pode trazer fôlego ao mercado no curto prazo e favorecer a retomada gradual da liquidez entre produtores gaúchos.

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Milos Silveira

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