Lavouras de arroz se desenvolvem bem em Cachoeira do Sul na safra 2025/2026

Cachoeira do Sul, · --°C

A safra 2025/2026 de arroz em Cachoeira do Sul começou sob boa expectativa, mas com redução na área efetivamente cultivada em relação à intenção de plantio. No entanto, o panorama geral da lavoura no município apresenta, até o momento, um quadro agronômico considerado positivo. Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicam que o município semeou 24.288 hectares, abaixo da intenção inicial de 26.021 hectares — retração de 6,66%.

Segundo o coordenador regional do Irga na Depressão Central, engenheiro agrônomo Enio Coelho, a diminuição está associada a uma combinação de fatores econômicos e estratégicos. Entre eles, o baixo preço do arroz em casca no mercado e o atendimento, por parte dos produtores, ao apelo de entidades representativas como a Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), entre outras, que defendem a redução da área plantada como forma de buscar equilíbrio na oferta e no mercado como um todo. Também houve casos de produtores com menor capacidade de investimento para implantar toda a área planejada.

Colheita do arroz ainda em fase inicial

A colheita está apenas começando e ainda não alcança 1% da área plantada em Cachoeira do Sul. As lavouras já colhidas são de ciclo precoce, semeadas no início de outubro. A maior parte das áreas ainda se encontra em fases que antecedem o avanço mais consistente das máquinas.

Neste momento inicial, a produtividade média varia entre 7,5 mil e 8 mil quilos por hectare, o equivalente a 150 a 160 sacas por hectare. De acordo com Enio Coelho, esses números são considerados normais para o começo dos trabalhos. “São médias compatíveis com o início da colheita. Historicamente, elas tendem a crescer à medida que os trabalhos avançam e, no final do processo, podem apresentar leve redução”, explica.

Fenologia aponta avanço nos próximos dias

O levantamento mais recente mostra que 17.334 hectares estão em fase reprodutiva, enquanto 6.260 hectares já atingiram a maturação. As áreas atualmente em estágio reprodutivo devem entrar em maturação nos próximos dias, o que deve acelerar o ritmo da colheita no município.

Essa evolução segue a escala fenológica natural da cultura, fortemente influenciada pelas condições climáticas. Neste ciclo, o comportamento geral das lavouras é considerado bom. O município contou com adequada radiação solar ao longo do desenvolvimento das plantas — fator decisivo, sobretudo na transição do estágio vegetativo para o reprodutivo.

Clima favoreceu, mas calor preocupa

A safra foi implantada majoritariamente dentro da janela recomendada, cujo prazo final é 10 de novembro. A semeadura ocorreu dentro do período ideal e foi beneficiada por condições climáticas favoráveis, sem registros de dificuldades por falta de água e com boa luminosidade durante todo o ciclo até agora.

Entretanto, o coordenador do Irga chama atenção para um ponto de alerta: as altas temperaturas registradas nas últimas semanas coincidiram com áreas em plena floração. Existe a possibilidade de abortamento de grãos na panícula em função do calor excessivo, impacto que só poderá ser mensurado nas próximas semanas, quando essas lavouras entrarem em maturação. Já as áreas que estavam em fases mais adiantadas e agora se encontram em maturação ou já estão sendo colhidas ficaram fora do período mais crítico das ondas de calor extremo.

Plantas daninhas exigem atenção com manejo

Outro aspecto observado nesta safra é a presença de plantas infestantes, especialmente espécies do gênero Cyperus, além de capim-arroz e arroz vermelho. Conforme Enio Coelho, em algumas áreas houve dificuldade de controle, possivelmente em razão de resistência dessas plantas daninhas a determinados agroquímicos ou da adoção de produtos alternativos nem sempre indicados para determinadas situações.

O engenheiro agrônomo reforça que o manejo adequado é fundamental para evitar perdas de produtividade e problemas futuros nas áreas cultivadas. O ideal é que, na dúvida, o produtor procure orientação técnica para evitar prejuízos.

Safra boa, mas que exige responsabilidade nas projeções

Diante do cenário atual, a avaliação técnica é de um otimismo cauteloso. Para Enio Coelho, o município caminha para uma safra positiva, desde que não ocorram intercorrências climáticas mais severas nas próximas semanas.

“Pode-se concluir, a partir desse cenário, que poderá ser uma safra boa. Não gosto do termo ‘supersafra’, porque ela não existe. Sempre prefiro dizer que teremos uma safra boa ou muito boa. Numa safra muito boa, talvez o produtor consiga, em função do volume colhido, fazer um equilíbrio nas suas contas em relação ao custo demandado pela lavoura. É preciso ter responsabilidade quando se fala em números e projeção de cenário futuro”, analisa o coordenador regional do Irga.

Para os produtores de Cachoeira do Sul — um dos principais polos arrozeiros do Estado —, o desempenho final da safra dependerá agora da consolidação das produtividades nas áreas que entram em maturação e do comportamento do mercado nos próximos meses. Da parte que cabe ao produtor, ou seja, da porteira para dentro, a resposta vem sendo positiva. Resta, agora, acompanhar se clima e preços permitirão transformar a boa perspectiva técnica em resultado econômico satisfatório e com renda para o setor arrozeiro.

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