
O empresário Pelópidas Bernardi deixou, nesta sexta-feira (21), o alojamento do 3º Batalhão de Engenharia de Combate, onde estava custodiado desde 10 de novembro, seis dias depois da decisão que determinou sua prisão preventiva e que chegou a deixá-lo no Presídio Estadual de Cachoeira do Sul. A mudança para o regime de prisão domiciliar foi autorizada pela Justiça após análise de um pedido apresentado pela defesa.
Bernardi havia sido recolhido inicialmente ao presídio em cumprimento a uma ordem judicial motivada por preocupações com a integridade física e psicológica das vítimas. Na ocasião, o promotor Átila Castoldi Kochenborger destacou, em nota, que o pedido de prisão buscava impedir novos episódios relacionados às condutas investigadas. Segundo ele, o comportamento apresentado nos autos representava “risco concreto à ordem pública”.
No dia da prisão, a Polícia Civil também havia reforçado a necessidade da medida. O delegado Tiago Bittencourt, da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, explicou que o histórico de reiteração das condutas, aliado à existência de múltiplas vítimas e ao período em que a prática vinha sendo atribuída ao empresário, indicava a possibilidade de novos ocorrências caso Bernardi permanecesse em liberdade.
Com a nova decisão, ele deixa o regime de custódia em ambiente militar e passa a cumprir prisão domiciliar. A Justiça não detalhou as condições impostas, nem eventuais mecanismos de fiscalização. Também não há informação sobre o período em que Bernardi deverá permanecer em casa, uma vez que o processo segue em andamento. O Ministério Público deve se manifestar após ter acesso ao inteiro teor do despacho.
Saiba mais sobre o caso
Bernardi havia sido preso pela Polícia Civil em cumprimento a mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, a pedido do Ministério Público, que apontou risco de reiteração dos crimes investigados e de fuga, já que o empresário mantém residência nos Estados Unidos.
Ele foi indiciado pelo delegado João Gabriel Parmeggiani Pes, titular da Delegacia de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPPGV), pelos crimes de perseguição e violência psicológica contra mulheres. O inquérito reúne depoimentos de nove vítimas, que relataram ter sido abordadas por um homem em um carro preto durante caminhadas ou corridas em locais públicos, como ruas e praças. As mulheres afirmaram que o suspeito fazia comentários de cunho sexual durante as abordagens. As investigações apontam ainda que entre as vítimas haveria pelo menos um homem e uma adolescente.