
Hoje, 7 de outubro, completa-se um ano do ataque promovido pelo Hamas contra Israel, uma ofensiva brutal que matou cerca de 1,2 mil pessoas e levou centenas de reféns para Gaza. Desde então, alguns desses prisioneiros continuam desaparecidos, enquanto outros foram encontrados mortos. A data marca um dos episódios mais sangrentos da história recente do Oriente Médio, reacendendo uma ferida que jamais cicatrizou.
O conflito, porém, não começou em 2023. Suas raízes remontam ao início do século XX, quando o colapso do Império Otomano deu origem a disputas sobre a Palestina. Em 1948, com a criação do Estado de Israel, milhões de árabes palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras. Desde então, a região vive um ciclo de guerras, intifadas e acordos de paz que nunca se consolidam.
De um lado, o povo judeu reivindica o direito histórico e religioso à sua terra ancestral. Do outro, o povo palestino exige o reconhecimento de seu próprio estado e o fim da ocupação. Ambos têm razões e feridas profundas.
A resposta de Israel ao ataque do Hamas foi implacável. Gaza é bombardeada sem trégua, resultando em dezenas de milhares de mortos, a maioria civis. O governo de Benjamin Netanyahu justifica sua política como uma forma de defesa da soberania e de combate ao terrorismo. No entanto, há quem veja nisso um castigo coletivo, uma ação desproporcional que transforma toda a população em refém de um jogo geopolítico cruel.
A tragédia é que, dos dois lados, os civis continuam pagando o preço. Israel teme que a criação de um Estado palestino ponha em risco sua segurança. Já os palestinos enxergam a resistência, inclusive armada, como a única forma de sobreviver à ocupação. Essa lógica da força alimenta o ciclo de ódio e destruição há mais de sete décadas.
Superar esse antagonismo exigiria o que sempre faltou: líderes dispostos a enxergar o inimigo como um ser humano. Exemplos históricos mostram que isso é possível. A Alemanha e a França, que foram inimigas por séculos, reconstruíram a paz após duas guerras mundiais. O mesmo caminho foi trilhado pela Irlanda e o Reino Unido.
O Oriente Médio precisa de algo semelhante: reconhecimento mútuo, segurança para Israel e dignidade para os palestinos. Enquanto isso não acontecer, o dia 7 de outubro continuará sendo lembrado não apenas como um dia de horror, mas também como o símbolo de um conflito sem fim, no qual o passado nunca passa e o futuro é proibido de nascer.