GRUPO OLFAR CONFIRMA COMPRA DA UNIDADE DA COTRIBÁ EM CACHOEIRA | Aquisição envolve estrutura na BR-290 e integra estratégia de expansão e fortalecimento do conglomerado de processamento de soja no RS / Foto: Arquivo/OC
O Grupo Olfar, um dos principais conglomerados brasileiros no processamento de soja e na produção de biodiesel, confirmou oficialmente nesta quarta-feira (4), a aquisição de duas unidades de recebimento de grãos que pertenciam à Cotribá, cooperativa sediada em Ibirubá. Uma das estruturas está localizada em Cachoeira do Sul, na BR-290, ponto considerado estratégico para a atuação da empresa no Rio Grande do Sul.
Segundo comunicado divulgado pela companhia gaúcha, controlada pela família Weschenfelder e com sede em Erechim, a operação integra um plano de crescimento voltado à ampliação da originação de grãos, tanto para abastecer suas indústrias quanto para fortalecer a atuação comercial no mercado agrícola. Além de Cachoeira do Sul, a negociação inclui uma unidade situada no município de Arroio Grande.
Com a incorporação das duas plantas, o Grupo Olfar passa a operar 33 postos próprios de recebimento de grãos no país, sendo um deles em Goiás. Os valores da transação e a capacidade operacional das unidades não foram informados.
Além da compra, o acordo firmado com a Cotribá prevê uma parceria comercial que amplia a presença do grupo em diferentes regiões do estado. As empresas assinaram um contrato de prestação de serviços que permite ao Olfar utilizar outras 31 unidades da cooperativa como pontos de originação. Nesses locais, a Cotribá continuará responsável pelo recebimento, classificação, padronização e armazenagem dos grãos. “No dia a dia, o produtor passa a ter mais uma alternativa de entrega e pode comercializar sua soja diretamente com a Olfar, utilizando a estrutura da cooperativa”, destaca o comunicado da empresa.
De acordo com o grupo, a parceria contribui para manter as unidades em funcionamento, amplia a capacidade regional de recebimento e oferece mais agilidade e opções de comercialização aos produtores. A estratégia combinada de aquisição de ativos próprios e cooperação de longo prazo reforça a presença da Olfar em áreas consideradas prioritárias para a cadeia da soja no Rio Grande do Sul.
Fundado há 37 anos, o Grupo Olfar consolidou-se como um dos maiores produtores de biodiesel do país e, ao longo do tempo, adotou um modelo verticalizado de atuação. A empresa passou a atuar desde a originação dos grãos até o relacionamento direto com mais de 10 mil produtores, oferecendo também venda de insumos e assistência técnica. Em 2024, incorporou 18 revendas que pertenciam à Synap, controladora da rede de distribuição da Syngenta, que passaram a operar sob a marca Olfar Agro.
A confirmação da compra ocorre após o encerramento das atividades da unidade da Cotribá localizada às margens da BR-290, em Cachoeira do Sul. A estrutura teve suas operações finalizadas oficialmente no dia 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal, em meio ao processo de reestruturação financeira enfrentado pela cooperativa.
Em comunicado aos associados, a Cotribá informou que manteve o atendimento normal até a data do fechamento para cumprir compromissos já assumidos. Produtores foram orientados a retirar documentos e blocos de produtor, e, a partir do encerramento, demandas administrativas e operacionais passaram a ser direcionadas para a unidade de Rio Pardo.
Inaugurada em 2021, a unidade de Cachoeira do Sul foi projetada para receber soja, arroz e milho, com capacidade estática estimada em até 240 mil sacas e potencial de recebimento diário de cerca de 50 mil sacas. Com o fechamento, a cooperativa passou a orientar os associados a buscarem atendimento na unidade do Capão do Valo, localizada no quilômetro 41 da ERS-403, na divisa entre Cachoeira do Sul e Rio Pardo.
O encerramento da estrutura ocorreu poucas semanas depois de a Cotribá tornar público o pedido de tutela cautelar antecedente junto à Justiça, em 27 de novembro, para reorganizar dívidas estimadas em aproximadamente R$ 1 bilhão. A decisão, concedida pela Vara Regional Empresarial de Santa Rosa, suspendeu bloqueios e permitiu à cooperativa negociar passivos com bancos e fornecedores.
Segundo a direção, a medida integra um plano mais amplo de reestruturação que busca preservar mais de mil empregos e assegurar a continuidade de uma instituição com 114 anos de história. A cooperativa também afirmou, em nota, que os compromissos com os mais de 9.500 associados seriam mantidos e que as atividades essenciais continuariam em operação.
Apesar das garantias oficiais, o fechamento da unidade em Cachoeira do Sul gerou dúvidas entre produtores atendidos pela estrutura. A reportagem tentou contato com a matriz da Cotribá para esclarecer questões relacionadas a volumes de grãos depositados e prazos de regularização, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
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