GASTANÇA DESENFREADA – Jeferson Francisco Selbach

Cachoeira do Sul, · --°C

 

Vamos gastar, comprar tudo que desejamos!

Para que economizar se o futuro a Deus pertence?

Estourar o limite do cheque-especial e do cartão de crédito.

Já imaginaram pensar assim em sua casa?

Dizer ao cônjuge e aos filhos que podem usar o dinheiro que tem e o que não tem para os desejos de consumo.

É isso que os governos fazem ano a ano, eleição após eleição.

Como faltam recursos e as contas não fecham a solução é sempre a mesma, propor mais impostos diretos ou indiretos para arrancar mais dinheiro da população.

O atual embate entre o Congresso e o Governo que foi parar no STF do IOF que incide nos empréstimos é consequência direta desta gastança desenfreada.

A dívida pública do Governo ultrapassou este ano a marca histórica dos R$ 7,6 trilhões, mesmo com arrecadação recorde de mais 10% em valores reais.

Mais da metade do que se extorque do cidadão vai para pagar juros e amortização da dívida.

E ninguém sequer cogita fazer um plano de longo prazo para diminuir os gastos públicos.

Ao contrário, aumentam os impostos e gastam cada vez mais, com eventuais bloqueios orçamentários quando realmente não há recursos em caixa para pagar as despesas.

O Banco Central, mesmo sob a presidência de Gabriel Galipolo, indicado de Lula, elevou os juros aos maiores patamares desde a crise no final do Governo Dilma.

Esses juros abusivos são pagos pela maioria das famílias brasileiras que se endividaram e agora estão inadimplentes em muitas das contas.

É simples de entender: se não quer pagar altos juros, diminua os gastos, quitando a dívida principal e investindo naquilo que produz e não em gastos populistas.

Essa premissa que está sendo adotada na Argentina e que possibilitou sair de uma hiperinflação é visto como sacrilégio pelos governos populistas de esquerda.

Esquecem que o maior malefício contra a população é a alta da inflação, pois corrói o bolso dos mais pobres, que não conseguem proteger seus ganhos e assistem passivamente a alta mensal dos preços.

Os demais níveis governamentais seguem a mesma toada, com gastos crescentes e aumento dos impostos.

Eduardo Leite se elegeu com a promessa de não elevar tributos, mas logo que pôde propôs aumentar o ICMs de 17% para 19,5%, incluindo os alimentos da cesta básica, então isentos, para 12%.

Como não conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa, revogou benefícios fiscais a diversos setores, uma forma indireta de aumentar o imposto que no final vai ser pago pela população.

Aqui em Cachoeira do Sul o Executivo adota medidas semelhantes, de compensar o aumento dos gastos com maior arrecadação tributária.

Reduzir desconto do IPTU no pagamento antecipado, implantar estacionamento rotativo pago no centro ou alterar as regras da contribuição dos servidores municipais ao Faps são as soluções para não diminuir os gastos públicos.

O problema não é só o recorrente déficit orçamentário, mas as prioridades que são dadas, com ações inócuas.

Esse apetite por aumentar a arrecadação só vai ter fim quando os recursos privados minguarem a ponto de não valer mais a pena investir, empreender ou trabalhar.

Até lá, toda atividade realizada de janeiro a maio é apropriada pelo Estado, com um retorno bastante questionável.

A gastança está, definitivamente, desenfreada.

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