Frio intenso e excesso de chuva reduzem desempenho dos rebanhos de corte

Cachoeira do Sul, · --°C

A combinação de frio intenso, geadas e chuvas frequentes tem imposto desafios à pecuária de corte no Rio Grande do Sul. O cenário observado nas últimas semanas provocou queda no desempenho dos rebanhos, sobretudo em propriedades com menor oferta de pastagens, onde os animais apresentaram perda mais acentuada de condição corporal.

O diagnóstico integra o mais recente Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, que também aponta prejuízos ao bem-estar dos bovinos. A permanência em áreas encharcadas aumentou o estresse térmico dos rebanhos, levando produtores a reforçarem a suplementação alimentar, ajustarem a carga animal nas propriedades e intensificarem os cuidados sanitários.

Na Campanha, os reflexos do inverno têm sido ainda mais evidentes nas fazendas que dependem exclusivamente de campo nativo para alimentação dos animais. Nessa região, a Emater destaca a importância da existência de bosques e áreas de mata para oferecer abrigo aos rebanhos durante os períodos de frio intenso.

O boletim também registra aumento de problemas respiratórios entre terneiros recém-desmamados e maior sensibilidade dos animais de sangue zebuíno às baixas temperaturas. Outro fator que preocupa os pecuaristas é a dificuldade para adquirir vacinas contra clostridioses. Embora o produto esteja voltando ao mercado, os preços chegaram a atingir valores até três vezes superiores aos praticados em períodos considerados normais. Em contrapartida, as geadas sucessivas produziram um efeito considerado positivo no campo. Segundo a Emater, o frio intenso reduziu significativamente a população de carrapatos, diminuindo a pressão dessa importante praga sobre os rebanhos.

Na Região Central do Estado, a recuperação da condição corporal das vacas de cria segue em andamento, acompanhada pelo aumento gradual do ganho de peso dos animais. Já no Noroeste, o comportamento do rebanho foi diferente: durante os dias mais rigorosos do inverno, houve redução no consumo de forragem durante o pastejo, ocasionando perda de escore corporal em parte das propriedades, especialmente entre animais de origem zebuína. Nas raças europeias, os impactos foram menos expressivos.

Com a chegada do inverno, muitos produtores também passaram a comercializar terneiros desmamados e vacas de descarte como forma de reduzir a lotação das áreas de pastagem. Paralelamente, foram intensificados os tratamentos preventivos para controle de parasitas internos, pulmonares e gastrointestinais, medida considerada estratégica para preservar a saúde dos rebanhos durante o período mais frio do ano.

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