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sábado, 16 janeiro, 2021 - 04:55
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Final melancólico de 16 anos do mesmo grupo no poder

Crédito: OC/Reprodução

Nesta quinta-feira (31), o ponto será facultativo na Prefeitura de Cachoeira do Sul. Ou seja, o atual mandato chega ao fim. Mas não é um término qualquer. É o encerramento de um ciclo inteiro. Afinal, o mesmo grupo político comanda o Executivo Municipal desde 2005, com a eleição do agora deputado federal, Marlon Santos. Ou seja, encerra o período de 16 anos. Foram quatro mandatos. O segundo, encabeçado pelo próprio Sério Ghignatti, que deixa a cadeira de prefeito mais uma vez. Na sequência, Neiron Viegas, então ligado aos antecessores. Logo depois, o retorno de Ghignatti.

Os números mostram o impacto das gestões para Cachoeira do Sul. As consequências vão desde a redução populacional até dívidas, rombos e desemprego, além do pior momento da pandemia de Covid-19.

Rombo

Durante a campanha eleitoral, quando Ghignatti buscava sua reeleição, um de seus adversários divulgou dados do Tribunal e Contas do Estado (TCE-RS) sobre a insuficiência financeira nas gestões desde 2005. Apenas dos dois mandatos de Ghignatti, o rombo somou R$ 74,2 milhões. O total ainda não leva em conta o ano de 2020, que terá o levantamento divulgado no decorrer de 2021. Durante o governo de Neiron Viegas, a cifra chegou a R$ 49,6 milhões. No mandato de Marlon Santos, o montante insuficiente foi de R$ 34,2 milhões. Ou seja, em 15 anos (sem contar ainda 2020, portanto), o rombo alcançou em torno de R$ 158 milhões. E termos de comparação, a previsão orçamentária para a Prefeitura de Cachoeira do Sul para 2021 indica R$ 340 milhões em projeção.

Faps

Outra questão que pode ser traduzida em números é o Fundo de Aposentadoria e Pensão dos Servidores (Faps). A dívida ultrapassa a casa dos R$ 17,4 milhões e atravessou os quatro mandatos sem qualquer esboço de solução. Ao contrário: projeções indicam um colapso até 2025, caso nenhuma medida seja tomada.

Demissões

A onda de desempregos também atingiu a população cachoeirense no período. Apenas durante a atual gestão, os registros apontam para 15,7 mil demissões. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério da Economia, 591 postos de trabalho formais foram extintos desde 2012, quando Ghignatti reassumiu a Prefeitura. A pandemia não serve de desculpa, uma vez que nos três primeiros anos do mandato, o saldo negativo na diferença entre contratações e demissões já era de 444 postos de trabalho perdidos.

Crédito: OC/Reprodução

Pandemia

O grupo que comandou a Administração Municipal por 16 anos encerra o período entregando Cachoeira do Sul em meio ao pior momento da pandemia de Covid-19. Na campanha eleitoral, o então candidato que buscava ser reeleito declarava ser o comandante da Prefeitura responsável pelas estatísticas consideradas positivas no cenário pandêmico. No entanto, após a eleição perdida, o Município passou a registrar diariamente dados que sinalizam o aumento progressivo de casos confirmados e cada vez mais óbitos por complicações com a doença. Frente ao novo momento, Ghignatti optou por acusar a população pela piora do cenário. Ou seja: nos meses favoráveis, seu mérito. Mas quando os números passaram a mostrar o descontrole em internações, casos confirmados e mortes com a Covid-19, a responsabilidade passou a ser da comunidade, de acordo com o discurso do prefeito no fim do seu segundo mandato.

No modelo de distanciamento controlado do Governo de Estado, Cachoeira migrou de vez para a bandeira vermelha (rico alto de contágio) e com índices até de bandeira preta (risco altíssimo). A pandemia contou, logo no seu início em Cachoeira do Sul, com comércio fechado. O reflexo foi ainda mais desempregos e empresas que não resistiram ao golpe.

Crédito: OC/Reprodução

Sem diálogo

Outra marca do fim de ciclo do grupo político que comandou a Prefeitura por quatro mandatos consecutivos é a falta de diálogo. Um exemplo é a classe dos professores. O episódio de outdoors espalhados pela cidade resumem o ponto que chegou a relação entre Ghignatti e os profissionais de Educação.

Integrantes do governo também padeceram. Desde secretários desligados até rompimento com o vice-prefeito, Cleber Cardoso.

O embate provocado em implantar a ideia do Estacionamento Rotativo Pago da forma que queria colocou de um lado Ghignatti e do outro, o então secretário municipal Luciano Lara, autor de projeto para a pauta que gerou sua saída. Outros titulares de pasta também acabaram ficando de fora no decorrer do mandato em função de divergências com a condução da Prefeitura.

Crédito: OC/Reprodução

Prefeito sempre fora

Quem quisesse falara com o prefeito tinha mais chances de encontrar Ghignatti fora da Prefeitura. Embora não sendo ilegal, a situação gerou críticas da população durante todo o mandato. Sem a possibilidade de contato direto com o chefe do Executivo Municipal, a equipe acostumou com a rotina sem ele e passou a atuar longe da figura de quem foi eleito para comandar a Administração Municipal.

Servidores

Ao começar o ciclo do grupo político que foi reprovado pelo eleitorado cachoeirense no pleito de novembro, o quadro de servidores municipais girava em cerca de 1,6 mil. O quadro foi ampliado em torno de 500 servidores, fazendo aumentar a despesa em R$ 1 milhão ao mês e R$ 13 milhões ao ano, aproximadamente. E a ampliação ocorreu no mesmo período de redução populacional. Em resumo: o quadro de servidores aumentou para atender uma população que reduziu.

Falta de capacidade

A avaliação do governo que encerra tem um capítulo especial: a incapacidade em elaborar um processo licitatório viável para o serviço de transporte coletivo em Cachoeira do Sul. Todas as peças apresentadas tinham equívocos, incluindo erros primários, de acordo com especialistas do setor. A consequência afetou o serviço para a comunidade com a falta de possibilidade de planejamento minimo provocada pela ausência de definições legais por parte da Prefeitura. A expectativa é que a situação seja destravada com a próxima gestão municipal que assume.

Crédito: OC/Reprodução

Cachoeirenses indo embora

No início dos anos 2000, os órgãos responsáveis estimavam 87,8 mil habitantes. Após o período de quatro mandatos sob a regência do mesmo clã político, a população passou a menos de 82 mil, conforme o levantamento mais atual. São 6 mil moradores de Cachoeira do Sul que optaram em apostar na vida fora pela incapacidade das gestões em gerar oportunidades mais atrativas no Município. A redução impacta diretamente no total de repasses federais encaminhados para o cofres públicos.

E agora?

Os problemas herdados pelo grupo que comandou a Prefeitura desde 2005 estão na lista do próximo governo municipal. Conforme declarações do prefeito eleito, José Otávio Germano, a ordem é unir criatividade, experiência e conhecimento de gestão, além da ligação direta com os poderes executivo e legislativo em Brasília. Germano ainda ressalta a competência dos escolhidos em gerir as pastas municipais e equipes montadas.

As ações, de acordo com o prefeito eleito, devem ser aplicadas já no começo da nova gestão.

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