#REFLEXÕES… – FENARROZ – por Jeferson Francisco Selbach

Cachoeira do Sul, · --°C

Vai começar a 26ª edição da Fenarroz.

A feira se propõe a reunir em 100 mil m² de área de exposição empresas do setor agrícola para apresentar máquinas, equipamentos, implementos e novas tecnologias da agricultura aos seus clientes.

Deve movimentar em torno de meio bilhão de reais em negócios.

A feira nasceu em Cachoeira do Sul devido ao pioneirismo com a cultura do arroz irrigado por gravidade, desde o final do Século XIX.

Nos primeiros anos de 1900 foi introduzida a mecanização que aumentou o plantio irrigado através de motores a vapor montados sobre rodas chamados locomóveis, que atuavam junto com as bombas centrífugas.

Em 1920, o arroz já era a principal cultura da região, representando metade do valor da produção geral de todos os cereais produzidos.

Logo vieram os engenhos, como o Central no Passo da Praia, fim da atual rua Moron, e o Brasil, que chegou a ser o maior da América Latina.

Nesta época a praga do arroz vermelho trazia prejuízos e tornava as terras impróprias para a cultura, situação que levou os produtores gaúchos a criarem o Sindicato Arrozeiro do Rio Grande do Sul em 1926.

Em 1938, o sindicato transferiu todo o seu patrimônio para o Estado do Rio Grande do Sul, que passaria a administrar o fomento tecnológico rizícola, renomeando em 1948 de Instituto Rio Grandense do Arroz, com a sigla IRGA.

Foi nesta conjuntura que a União Central dos Rizicultores organizou em Cachoeira do Sul o primeiro Congresso Estadual entre 7 e 8 de março de 1940.

Pretendiam pressionar o poder público para fixar preços mínimos, aquisição do estoque de arroz, fornecimento de crédito agrícola, dilatação dos prazos de pagamento e facilitação de empréstimos e redução do valor dos fretes.

Com a Europa em plena Segunda Guerra Mundial, o arroz passou a fazer parte dos hábitos alimentares brasileiros.

Com a safra favorável no início de 1941, Cachoeira organizou a primeira Festa do Arroz entre os dias 9 e 16 de março.

O prefeito era Cyro da Cunha Carlos, o presidente da edição Floriano Neves da Fontoura e Luci Ribeiro foi a primeira rainha.

Durante os festejos, muitos participantes jogaram grãos de arroz uns nos outros que acabaram em grande desperdício.

Poucos dias depois veio a grande enchente que arrasou plantações inteiras.

A segunda edição levou 28 anos para ser realizada, somente em 1968, no parque de exposições da área que sediou a Escola de Agricultura, atual sede do Sindicato Rural, e desde 1957 o CTG José Bonifácio Gomes.

Foram inaugurados o pavilhão de exposições e o Pórtico Monumental.

Foi lançado o Hino com Letra de Ely Costa Marciniak e Música do Maestro Roberto Eggers.

Mônica Claveaux Jardim foi eleita Rainha.

Na edição de 1972 foi inaugurado o Ginásio de Esportes com show do cantor Teixerinha.

As edições foram a cada quatro anos até 1992, depois a cada três, depois dois e anual a partir de 2022.

Passou por diversas mudanças no foco, de festa com feira e espaço múltiplo.

Infelizmente, parte dos cachoeirenses, inclusive produtores do setor, parece não estar prestigiando o evento.

A captação de R$ 1 milhão pela Lei Rouanet não emplacou entre os empresários.

Esqueceram que a Fenarroz nasceu justamente da luta por melhores condições econômicas para o setor.

Abandonar essa pauta não melhora em nada.

Quem sabe devam lutar para que o governo federal petista pare de usar o arroz como política populista, permitindo a importação asiática a cada melhora dos preços internos.

Só assim para voltarem a festejar a Fenarroz.


* Sociólogo, Doutor em História e Professor Titular da Universidade Federal do Pampa

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