O arroz representa fortemente a identidade de Cachoeira do Sul, em razão da ligação histórica da região com a cultura orizícola.

O maior impulso do plantio no Rio Grande do Sul foi com a chegada dos colonos alemães a partir da década de 1820, pois consideravam o arroz indispensável como base da alimentação, junto com feijão, milho, cana-de-açúcar, alfafa, amendoim, linho e a suinocultura, todos esses gêneros destinados ao consumo próprio e ao mercado interno.
A zona de colonização alemã de Santo Ângelo, quinto distrito do município de Cachoeira, liderava a exportação regional em 1878, com mais de 100 toneladas.
O arroz despontou como base de sustentação do crescimento da região cachoeirense em fins do século 19 com a introdução das primeiras lavouras irrigadas por gravidade.
O aumento da produtividade e dos lucros fez com que muitos estancieiros luso-brasileiros diminuíssem seu preconceito com a lavoura orizícola.
As primeiras experiências na região cachoeirense com arroz irrigado por gravidade datam de 1892, mas foi na virada do século que a mecanização propiciou o aumento exponencial do plantio de arroz irrigado.
Os locomóveis eram motores a vapor montados sobre rodas, que atuavam junto com as bombas centrífugas.
O número de lavouras de arroz com levante mecânico aumentou sobremaneira nas duas décadas seguintes, fazendo com que o arroz passasse a representar metade do valor da produção geral de todos os cereais produzidos.
Com a safra favorável no início de 1941, Cachoeira organizou a primeira Festa do Arroz entre os dias 9 e 16 de março.
A prefeitura solicitou a todos os residentes que pintassem as fachadas dos imóveis para apresentar aspecto agradável aos visitantes.
Cenógrafos da capital confeccionaram carros alegóricos para o desfile.
As residências e estabelecimentos comerciais hastearam bandeiras em demonstração do civismo.
Durante os festejos, os participantes deram vazão a impulsos de desperdício de arroz, jogando grãos uns nos outros e depois pisoteando. Esta atitude provocou no imaginário popular a ideia de castigo divino com a grande enchente que atingiu o Estado no final do ano de 1941. Foi razão para a segunda edição levar 28 anos para ser realizada, somente em 1968.
Na edição de 1972 foi inaugurado o Ginásio de Esportes com show do cantor gaúcho Teixerinha, além dos pavilhões de exposição agropecuária.
A multifeira de 2025 foi prejudicada pela nova enchente, a segunda maior de Cachoeira do Sul.
Muitos dos que desejavam visitar o Parque de Exposições não vieram devido ao fechamento das estradas e o tempo chuvoso.
Além disso, o evento carece escolher seu perfil: se a antiga festa voltada para a população em geral ou se uma feira destinada ao agronegócio.
Pelo visto, a soma das duas não está gerando os benefícios esperados para ambos os públicos.