
A família estendida está com os dias contados.
Está deixando de existir aquela parentada que se reunia frequentemente na casa de um ou de outro.
A família tradicional passou a ser associada aos membros diretos que convivem juntos, no mesmo ambiente doméstico, tipo pai, mãe e filhos menores.
Entra nessa conta o casal que mora com a sogra.
Algumas razões explicam esse distanciamento parental.
Se tempos atrás as pessoas nasciam, viviam e morriam na mesma cidade ou região, agora muitos descendentes se mudam para longe, quase cessando o contato físico.
As redes sociais servem para aproximar as pessoas, ao menos no que diz respeito ao acompanhamento da vida social, como passeios e aniversários.
Mas o que é visto virtualmente não substituiu o olho no olho, a conversa ao pé de ouvido que só é possível presencialmente.
O natal sempre foi a época do ano para reunir os parentes distantes, normalmente na casa dos avós.
A magia desta época natalina vai acabando com a morte dos mais idosos, com a separação dos cônjuges ou com as famílias sem crianças pequenas.
Também com a opção de se afastar de parentes que nada somam na sua vida, principalmente aqueles que aproveitam o encontro para subtrair seu patrimônio com pedidos de doação em forma de empréstimos.
Inclusive vários memes na internet parodiam esse afastamento mostrando, por exemplo, que o marido alega se afastar da família estendida pondo a culpa na esposa ou vice-versa.
Muitas famílias tem preferido fazer viagens sozinhas ao invés de se reunir com os parentes, quanto mais longe melhor.
Após a ceia de natal, muitas famílias se mudavam para as praias para aproveitar o calor e o mar.
A casa de veraneio se transformava num acampamento sem fim, com colchões, colchonetes e redes por todo lado, mesa grande, paneladas de comida e banhos intercalados com o uso do banheiro coletivo.
Mesmo isso está se perdendo aos poucos, com imóveis cada vez menores e temporadas mais curtas, onde se prioriza o próprio núcleo familiar ao invés dos parentes distantes.
Essa mudança social é sinal dos tempos, onde o isolamento das pessoas é cada vez maior, em que pese o maior relacionamento virtual.
Talvez estejamos abandonando os hábitos culturais latinos, herdados dos portugueses e italianos, onde a residência materna virava casa da mãe Joana.
Aproximamo-nos da cultura globalizada norte-americana, onde os jovens cedo saem de casa e vão seguir com a própria vida, ganhar o seu dinheiro e formar a sua família.
Sem qualquer juízo de valor – se é bom ou ruim – isso é basicamente uma mudança de valores familiares, onde os progenitores perderam importância para o novo núcleo familiar que os filhos formam.
Persiste, provavelmente, nos momentos de doença e morte, onde reascende a chama do espírito familiar.
Mesmos nesses momentos, muitos são deixados à própria sorte, passando sozinhos pela enfermidade ou mesmo sendo enterrados por estranhos.
De qualquer forma, família é família.