FAMÍLIA – Jeferson Francisco Selbach

Cachoeira do Sul, · --°C

A família estendida está com os dias contados.

Está deixando de existir aquela parentada que se reunia frequentemente na casa de um ou de outro.

A família tradicional passou a ser associada aos membros diretos que convivem juntos, no mesmo ambiente doméstico, tipo pai, mãe e filhos menores.

Entra nessa conta o casal que mora com a sogra.

Algumas razões explicam esse distanciamento parental.

Se tempos atrás as pessoas nasciam, viviam e morriam na mesma cidade ou região, agora muitos descendentes se mudam para longe, quase cessando o contato físico.

As redes sociais servem para aproximar as pessoas, ao menos no que diz respeito ao acompanhamento da vida social, como passeios e aniversários.

Mas o que é visto virtualmente não substituiu o olho no olho, a conversa ao pé de ouvido que só é possível presencialmente.

O natal sempre foi a época do ano para reunir os parentes distantes, normalmente na casa dos avós.

A magia desta época natalina vai acabando com a morte dos mais idosos, com a separação dos cônjuges ou com as famílias sem crianças pequenas.

Também com a opção de se afastar de parentes que nada somam na sua vida, principalmente aqueles que aproveitam o encontro para subtrair seu patrimônio com pedidos de doação em forma de empréstimos.

Inclusive vários memes na internet parodiam esse afastamento mostrando, por exemplo, que o marido alega se afastar da família estendida pondo a culpa na esposa ou vice-versa.

Muitas famílias tem preferido fazer viagens sozinhas ao invés de se reunir com os parentes, quanto mais longe melhor.

Após a ceia de natal, muitas famílias se mudavam para as praias para aproveitar o calor e o mar.

A casa de veraneio se transformava num acampamento sem fim, com colchões, colchonetes e redes por todo lado, mesa grande, paneladas de comida e banhos intercalados com o uso do banheiro coletivo.

Mesmo isso está se perdendo aos poucos, com imóveis cada vez menores e temporadas mais curtas, onde se prioriza o próprio núcleo familiar ao invés dos parentes distantes.

Essa mudança social é sinal dos tempos, onde o isolamento das pessoas é cada vez maior, em que pese o maior relacionamento virtual.

Talvez estejamos abandonando os hábitos culturais latinos, herdados dos portugueses e italianos, onde a residência materna virava casa da mãe Joana.

Aproximamo-nos da cultura globalizada norte-americana, onde os jovens cedo saem de casa e vão seguir com a própria vida, ganhar o seu dinheiro e formar a sua família.

Sem qualquer juízo de valor – se é bom ou ruim – isso é basicamente uma mudança de valores familiares, onde os progenitores perderam importância para o novo núcleo familiar que os filhos formam.

Persiste, provavelmente, nos momentos de doença e morte, onde reascende a chama do espírito familiar.

Mesmos nesses momentos, muitos são deixados à própria sorte, passando sozinhos pela enfermidade ou mesmo sendo enterrados por estranhos.

De qualquer forma, família é família.

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