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sexta-feira, 14 maio, 2021 - 11:24
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Família de Passo Fundo fura fila da vacinação em Cachoeira

Delegado Mota: prática de fura-fila na vacinação contra covid-19 leva a enquadramento criminal / Foto: Milos Silveira

Uma operação da Polícia Civil de Cachoeira do Sul com agentes de Passo Fundo desvendou um esquema fraudulento praticado por uma família para furar a fila da vacinação contra a covid-19. Pai, filho e filha passo-fundenses se deslocaram a Cachoeira e, com uso de registros falsos do Conselho Regional de Enfermagem do RS (Coren/RS), entraram na fila da vacinação de profissionais da área da saúde.

O caso foi denunciado pela Secretaria Municipal de Saúde de Cachoeira do Sul à Polícia Civil depois que a filha, uma adolescente de 17 anos, procurou a Unidade Sanitária 1 (US1), no Centro, no último dia 4 de março, e entrou na fila. Quando chegou a vez dela, a equipe que fazia a aplicação das doses desconfiou da pouca idade da moça e decidiu averiguar melhor o documento. Assustada, a garota fugiu correndo sem tomar a vacina, o que levou a SMS a procurar imediatamente a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Cachoeira do Sul para comunicar o caso.

O delegado regional José Antônio Taschetto Mota instaurou inquérito pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Cachoeira para apurar a conduta da menor. No decorrer das investigações, a Polícia descobriu que outras duas pessoas com o mesmo sobrenome da adolescente também haviam se vacinado na fila dos profissionais da área da saúde. Eram o irmão e o pai da menor. Mota, então, solicitou e a Justiça expediu um mandado de busca e apreensão que foi cumprido pela Polícia Civil nesta quinta-feira (15) na casa da família, no Bairro São Cristóvão, em Passo Fundo.

No local, a equipe do delegado Adroaldo Schenkel, da 6ª Delegacia Regional de Passo Fundo, apreendeu documentos da família e outros elementos de prova que serão remetidos a Cachoeira do Sul nas próximas semanas para serem juntados ao inquérito instaurado por Mota na DPCA. O delegado titular da 20ª DPRI irá encaminhar o material apreendido para análise do Instituto Geral de Perícias (IGP), que tecnicamente irá apontar a falsidade da documentação. “Uma vez demonstrado o crime e a prática de fura-fila na imunização contra a covid-19, isso certamente irá inibir e levar outras pessoas a pensarem duas vezes antes de quererem se vacinar utilizando-se de práticas criminosas e fraudulentas”, alerta o delegado Mota.

QUANDO AS DOSES FORAM TOMADAS

O Coren/RS já enviou comunicação formal à DPCA informando que pai, filho e filha não são enfermeiros. Apenas a mãe possui registro regular no órgão. O pai, que tem 53 anos, e o filho, de 22, tomaram as duas doses da Coronavac nos dias 5 de fevereiro e 4 de março. “Ainda não sabemos qual a vinculação deles com Cachoeira para virem para cá para se vacinarem, mas isso também será apurado”, enfatiza Mota.

Quando a Polícia esteve na casa deles nesta quinta-feira, ninguém quis prestar esclarecimentos. De acordo com o delegado Mota, pai e filho deverão responder em liberdade pelo crime de uso de documento público falso, cuja pena varia de 2 a 6 anos de reclusão. Já a menor vai responder a procedimento infracional na Promotoria da Infância e da Juventude do Ministério Público.

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