Falta de fraldas e medicamentos do SUS tem sido rotina em Cachoeira

Por 15 de junho de 2021

Filas: além do tempo de espera no saguão das farmácias básicas, população ainda se depara com falta de medicamentos em Cachoeira do Sul / Foto: Milos Silveira

Não é de hoje que os cachoeirenses têm enfrentado sérias dificuldades no acesso a medicamentos, fraldas e fórmulas nutricionais nas duas farmácias básicas de Cachoeira do Sul: a municipal e a do Estado. Ambas funcionam no Hospital da Liga, com acesso lateral pela Rua Major Ouriques.

Além da falta dos insumos para suprir as necessidades, a população tem enfrentado também filas. Informações levantadas pelo Portal OCorreio dão conta de que a situação se agravou por falta de funcionários para absorver a demanda de atendimento. A demora somada à falta de insumos têm gerado insatisfação e reclamações.

Só nesta terça-feira (15), foram vários os relatos no Programa Rádio Repórter, da Fandango FM, dando conta de falta de fitas de glicose e de medicamentos de uso controlado para transtornos de humor, hipertensão arterial, diabetes, problemas cardíacos, entre outros. Um dos medicamentos, indicado para tratamento de câncer de próstata, estaria em falta na rede básica há pelo menos dois anos.

FRALDAS

No caso das fraldas infantis e geriátricas, a situação é ainda pior. A última dispensação data de fevereiro deste ano, ou seja, os pacientes já encontram-se no terceiro mês sem acesso a esses insumos. A reportagem do Portal OCorreio teve acesso ao termo de adjudicação e homologação que abre o pregão para compra de fraldas pelo município, assinado no último dia 8 pelo prefeito de Cachoeira do Sul, José Otávio Germano.

O documento prevê a aquisição de 2,1 milhões de unidades de fraldas infantis e adultas, de todos os tamanhos, pelo valor de R$ 1.894.024,00, para serem distribuídas em Cachoeira do Sul. Os produtos serão comprados de quatro empresas e a previsão é de que a dispensação comece nos próximos dias, de forma escalonada para se evitar filas e aglomerações.

QUEDA NO SISTEMA

Ao longo da semana passada, instabilidades no sistema informatizado geraram transtornos para quem precisou retirar medicamentos e fórmulas nutricionais na Farmácia do Estado. A falta de medicamentos não tem sido alvo de reclamações, mas a queda no acesso aos sistemas eletrônicos de dispensação gerou filas e consequente acúmulo de usuários à espera de atendimento, o que vai contra os protocolos de segurança para prevenção da covid-19.

Além disso, não havia disponibilidade de álcool em gel na entrada do saguão das duas farmácias.

 

“Governo assumiu sem estoque de medicamentos”, lamenta secretário Figueiró

O secretário municipal da Saúde, Marcelo Figueiró, lamentou a situação em que se encontra a Farmácia do SUS. Em entrevista à Rádio Fandango, ele explicou que o governo Ghignatti se encerrou no final do ano passado sem deixar medicamentos em estoque ou com empenho encaminhado para compra de novos lotes.

O resultado disso, segundo ele explica, foi a necessidade de o atual governo ter de começar do zero todos os processos de licitações para a compra de medicamentos para abastecer as prateleiras da Farmácia Municipal. “O atual governo assumiu sem estoque de medicamentos. O problema é que cada etapa burocrática demanda tempo, são dois, até três meses. Se cada uma dessas etapas durasse um dia, em uma semana estaríamos com tudo resolvido. Mas não é assim que funciona”, lamenta o secretário.

Segundo Figueiró, ainda deve demorar pelo menos três meses para que os estoques de medicamentos do SUS sejam normalizados em Cachoeira do Sul.