
O fim da Segunda Guerra marcou a divisão geopolítica mundial em duas partes bem definidas: democracias capitalistas versus ditaduras comunistas.
Estados Unidos e União Soviética se digladiaram com embates indiretos sem armas atômicas em todas as regiões do planeta, naquilo que ficou conhecido como a Guerra Fria.
Na formação do Estado judeu de Israel em 1948, na Coréia em 1950, em Cuba e no Vietnã em 1959 e no Afeganistão em 1979.
Através da CIA, os Estados Unidos promoveram a troca de governos na América Latina de modo a impedir a aproximação em curso com o comunismo soviético.
O Paraguai sofreu a intervenção militar em 1954 com Alfredo Stroessner, o Brasil em 1964 exilando o sindicalista do PTB Jango, o Chile em 1973 matando o presidente Salvador Allende e ascendendo Augusto Pinochet, e a Argentina em 1976, quando Jorge Videla depôs Isabelita Perón (não confundir com Evita Perón que faleceu de câncer em 1952).
A política da Glasnost e da Perestroika por Mikhail Gorbachev na segunda metade da década de 80 acelerou o colapso financeiro e decretou a separação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991.
O Brasil havia passado em 1989 pela primeira eleição direta após 30 anos de governo militar e 5 anos do civil José Sarney, eleito de forma indireta, com segundo turno entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.
Derrotado, Lula partiu para articular as esquerdas latino-americanas, fundando o Fórum de São Paulo em 1990 para traçar as estratégias de conquista do poder.
O encontro teve a presença do cubano Fidel Castro, único representante comunista que estava governando um país.
Os partidos de centro e direita dominaram o continente na década de 90, promovendo a diminuição do poder estatal na vida da população e perseguindo a estabilidade econômica que estava em frangalhos.
Com as economias equilibradas, a virada do século trouxe a primeira onda da “maré rosa” ou “guinada à esquerda” na América Latina, com Hugo Chávez na Venezuela, Lula no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Michelle Bachelet no Chile e Carlos Menem na Argentina.
Nas ondas seguintes assumiram Daniel Ortega na Nicarágua, Rafael Correa no Equador, Tabaré Vázquez e “Pepe” Mujica no Uruguai, Néstor e Cristina Kirchner na Argentina, Pedro Castillo no Peru, Xiomara Castro em Honduras e Gustavo Petro na Colômbia.
O discurso foi o mantra equivocado das esquerdas, de reduzir as desigualdades sociais através do fortalecimento do papel do Estado.
Todos estes governos órfãos do comunismo substituíram o livre mercado pelo populismo estatal, aumentando os gastos e explodindo a dívida pública.
Como vaticinou a dama de ferro inglesa Margaret Thatcher: “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.
De forma alternada, os países latino-americanos foram elegendo governos de centro e de direita, na chamada onda conservadora, impulsionados pela instabilidade econômica, crises sociais, críticas ao progressismo globalista e pelo fortalecimento do nacionalismo somado aos valores tradicionais da família cristã.
Bolsonaro foi eleito no Brasil, Sebastián Piñera no Chile, López Obrador no México, Javier Milei na Argentina, Luis Arce na Bolívia, Horacio Cartes no Paraguai, Alvaro Uribe na Colômbia, Lacalle Pou no Uruguai e um dos mais representativos da atualidade, Nayib Bukele em El Salvador.
Muitas das populações latino-americanas acreditam que o passado colonial e escravista faz com que o Estado lhes deva algo e almejam eternos ressarcimentos.
Esquecem com frequência que somente o trabalho pode tirá-los da miséria.
Por isso de tempos em tempos elegem políticos de esquerda, que prometem as impagáveis reparações históricas.
Quando a economia do mundo real colapsa, acabam defenestrados pela direita, única capaz de consertar a economia através do corte de gastos e da diminuição dos impostos.
Nessa toada seguimos unidos obedecendo ao comando de ordem: esquerda, direita e meia volta volver!