Entrevista: Divinut está de olho em novos horizontes, em ano que promete safra recorde

Cachoeira do Sul, · --°C

A cultura da noz-pecã, originária da América do Norte e introduzida no Brasil ainda no século XIX por imigrantes norte-americanos, vive um momento de expansão e consolidação no Sul do país. No Rio Grande do Sul, onde encontrou condições ideais de solo e clima, o cultivo se fortaleceu a ponto de concentrar cerca de 80% da produção nacional. Hoje, o Brasil ocupa a posição de quarto maior produtor mundial do fruto.

Para 2026, o cenário é ainda mais promissor. Após safras prejudicadas por eventos climáticos adversos nos últimos anos, a expectativa é de uma colheita recorde. Iniciada em abril e com previsão de se estender até o começo do inverno, a safra deve ultrapassar as 8 mil toneladas. A estimativa mais otimista aponta para cerca de 9 mil toneladas, o que representaria o maior volume já registrado no país.

Esse crescimento é acompanhado de perto por empresas do setor, como a Divinut, sediada em Cachoeira do Sul. A companhia tem forte atuação no mercado externo, com exportações direcionadas principalmente à Europa, América do Norte, Oriente Médio e norte da África. A Espanha funciona como principal porta de entrada no continente europeu, enquanto Canadá, Arábia Saudita e Egito são estratégicos em outras regiões.

Além do mercado internacional, a empresa também abastece o consumo interno, fornecendo para redes e marcas conhecidas, ampliando o alcance da noz-pecã no cotidiano do consumidor brasileiro.

De olho em novos horizontes, o CEO e fundador da Divinut, Edson Ortiz, prepara uma agenda internacional para maio. No roteiro, eventos relevantes do setor na Ásia, incluindo encontros voltados ao mercado de nozes e frutas secas. A meta é clara: inserir de forma mais consistente a noz-pecã brasileira no mercado do leste asiático, especialmente na China, que recentemente abriu suas portas para a importação do produto descascado.

Em entrevista ao programa Conexão 99 – da Rádio Vale FM 99.1 -, na noite desta quinta-feira (23), Ortiz mostrou otimismo com o setor:

A estratégia de expansão internacional ganhou força em um momento crítico da empresa. Durante a pandemia de Covid-19, a combinação de uma supersafra com o fechamento de bares e restaurantes — até então principais canais de venda — levou a Divinut a buscar alternativas. Com grande volume estocado e fluxo de caixa comprometido, a saída encontrada foi apostar na exportação, mesmo sem experiência consolidada no segmento. O risco, segundo Ortiz, era inevitável — e acabou sendo decisivo para o crescimento do negócio.

Hoje, a empresa colhe os frutos dessa decisão. Um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões está em fase final, ampliando significativamente a capacidade industrial. O número de descascadores saltou de dois para doze, permitindo o processamento de até 11 mil toneladas de noz-pecã — volume superior à própria produção nacional estimada para 2026.

Mesmo com a estrutura ampliada, a empresa adota cautela em relação a novos investimentos físicos. A prioridade, no momento, é maximizar o uso da capacidade instalada antes de avançar para novas expansões.

Outro diferencial da cadeia produtiva está no modelo de parceria com produtores rurais. A Divinut não atua diretamente no plantio das nogueiras, mas fornece mudas e suporte técnico, incentivando o cultivo em diferentes regiões. Atualmente, há pomares com plantas da empresa em grande parte dos municípios gaúchos, além de presença significativa em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Ao todo, cerca de cinco mil produtores integram essa rede.

A diversificação também é um ponto forte da atividade. A noz-pecã pode ser cultivada em conjunto com outras produções, como a criação de ovinos, agregando renda sem comprometer a atividade principal. Em muitos casos, até mesmo pequenas propriedades conseguem obter ganhos relevantes com o cultivo.

Mais recentemente, uma nova possibilidade vem agregando valor à cultura: o cultivo de trufas em simbiose com as nogueiras. O fungo, considerado um produto de alto valor econômico, cresce associado às raízes das plantas e contribui para o aumento da produtividade, além de oferecer uma nova fonte de renda ao produtor. No Estado, destaca-se a trufa do tipo Sapucay, descoberta por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, que mantém parceria com a iniciativa privada para o desenvolvimento da tecnologia.

Com perspectivas de safra recorde, expansão internacional e inovação no campo, a cadeia da noz-pecã se consolida como uma das mais promissoras do agronegócio gaúcho, reforçando o protagonismo do Estado no cenário nacional e ampliando sua presença no mercado global.

A expectativa é colher 6,7 mil toneladas nesta safra, o que representa um recorde.

A produção esperada nesta colheita tem o potencial de render, no Estado, a industrialização de 800 mil litros de azeite de oliva, de acordo com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).

Dados da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) indicam que o Rio Grande do Sul responde por cerca de 75% da produção nacional de azeite de oliva, com mais de 6 mil hectares cultivados em mais de 110 municípios, com destaque para a Metade Sul do Estado.

O setor está em expansão, apesar da sensibilidade às variações climáticas, que provocam alternância entre safras. Após dois anos de baixa produção, a Safra 2025/2026 tende a representar recuperação importante.

A recuperação significativa da olivicultura nesta Safra 2025/2026, após duas safras frustradas, é resultado de horas de frio adequadas no inverno, precipitações dentro da normalidade na primavera e boa distribuição de chuvas no verão, que favoreceram muito a cultura. Além disso, ocorrências pontuais de déficit hídrico no final do verão provocaram apenas leve atraso na colheita, sem impacto na produção. No momento, as cultivares mais produtivas são Koroneiki e Arbequina.

Rolar para cima