
Cachoeira do Sul atravessa um dos períodos mais decepcionantes de sua história recente. À frente da administração municipal, o prefeito Leandro Balardin parece mais empenhado em cultivar a própria imagem nas redes sociais do que em enfrentar os problemas que afligem o dia a dia da população.
Enquanto os posts se multiplicam em tom de autopromoção, a realidade nas ruas é outra: buracos por toda parte, vias esburacadas e quase intransitáveis tanto na zona urbana quanto no interior. A precariedade da malha viária alcançou um nível sem precedentes, transformando trajetos simples em verdadeiros testes de paciência e de resistência para motoristas e pedestres, além dos veículos que se deterioram em consequência de tamanho abandono.
Outro exemplo do descaso é o impasse na licitação do transporte coletivo urbano. A cidade segue sem solução para um sistema de ônibus que deveria atender de forma digna os cidadãos. A criação de uma secretaria extraordinária, com a promessa de conduzir o processo licitatório, revelou-se até aqui um equívoco caro: um órgão que consome cifras milionárias do erário, mas que já admite que o edital só será concluído no segundo semestre de 2026, proporcionando à sociedade um imbróglio recheado de insegurança jurídica que desencoraja qualquer empresário com um pingo de capacidade de pensamento de investir num sistema que amanhã ou depois pode mudar. Afinal, quem investiria num cenário sem um mínimo de futuro? Quem perde é o usuário, afinal, é uma postergação inaceitável para quem depende do transporte público todos os dias.
Na área habitacional, a situação não é diferente. O município perdeu a habilitação para projetos que poderiam trazer alento a dezenas de famílias, como as iniciativas articuladas pelo ex-jogador Dunga e pelo cantor sertanejo Sorocaba, que previam cerca de 60 casas populares. Mais uma oportunidade desperdiçada, resultado da incapacidade de gestão e da falta de articulação política da atual administração.
Cachoeira do Sul não precisa de um governo preocupado em exibir pseudofeitos em ambientes virtuais, mas de uma administração capaz de entregar resultados concretos. As redes sociais não tapam buracos, não colocam ônibus para circular e não constroem casas. O cidadão cachoeirense, que paga seus impostos e enfrenta diariamente o abandono das políticas públicas, merece respeito e soluções reais.
O futuro da cidade não pode continuar sendo adiado.