
Em pleno 2025, Cachoeira do Sul segue refém de um problema que já deveria ter ficado no passado: as intermináveis filas nas farmácias públicas — tanto na municipal (Farmácia do SUS) quanto na Farmácia do Estado. A cena, que se repete mês após mês, é um retrato da incapacidade administrativa de sucessivos governos municipais em garantir o básico: acesso digno e eficiente aos medicamentos que salvam e mantêm vidas.
Na manhã desta sexta-feira, 10 de outubro, uma senhora relatava estar em seu segundo dia de tentativa para conseguir retirar o remédio de uso contínuo — sem sucesso. Idosos, com dificuldades locomoção e amparados por muletas, também ilustravam o triste cenário. Essa é uma história que poderia ser contada por muitos cachoeirenses, obrigados a enfrentar sol, chuva e longas esperas na calçada da antiga Justiça Federal, na Avenida Brasil, onde hoje funcionam as farmácias públicas, a exemplo do flagra desta sexta-feira. É gente da cidade, é gente do interior, muitas pessoas de rincões bem distantes. É desumano. É um retrato do descaso.
É verdade que se trata de um problema histórico, que atravessa gestões e promessas. Mas isso não deve servir como desculpa para a falta de iniciativa. O fato é que a responsabilidade de resolver — ou, ao menos, começar a resolver — recai sobre o governo atual, liderado pelo prefeito Leandro Balardin. Cabe à sua administração demonstrar que é possível, com planejamento e vontade política, mudar essa realidade que humilha cidadãos que apenas buscam o direito de acesso à saúde pública.
Soluções existem — e não exigem revoluções tecnológicas ou gastos milionários. Uma das alternativas mais viáveis seria a implantação de um sistema informatizado de agendamento e chamada: o paciente poderia ser avisado por telefone, mensagem de texto ou WhatsApp sobre o dia e horário para retirada de seus medicamentos. Outra medida prática seria a criação de grupos de WhatsApp organizados por tipo de medicação ou faixa etária, permitindo que as farmácias comuniquem com antecedência eventuais atrasos, faltas ou alterações nos estoques.
Além disso, é urgente pensar em melhoria na logística e no atendimento presencial, com ampliação do espaço físico ou reorganização dos fluxos internos. O simples ato de separar o atendimento para uso contínuo e o de rotina já reduziria o tempo de espera. Um reforço no quadro de servidores, especialmente nos períodos de maior demanda, também é indispensável.
O que não se pode mais aceitar é a naturalização do caos. Cada hora de espera é um lembrete de que a saúde pública ainda está distante de respeitar o cidadão. Cada fila é uma confissão de que o poder público tem falhado, ano após ano, naquilo que deveria ser prioridade absoluta: o cuidado com as pessoas.
É uma questão de oferecer dignidade a quem elegeu o atual prefeito. O momento exige ação. E, mais do que discursos, a população espera do governo municipal gestos concretos, capazes de transformar indignação em eficiência, e promessas em atendimento digno. As filas das farmácias de Cachoeira do Sul são uma vergonha coletiva — e só deixarão de ser quando alguém, de fato, decidir enfrentá-las com coragem e responsabilidade.